Governador

Dino: 'ciclo político de Sarney está esgotado'

Chefe do Executivo do Maranhão enfrenta uma ofensiva articulada pelo ex-presidente da República, do MDB

00:00 · 30.04.2018
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Governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), também fez uma defesa da unidade da esquerda na corrida presidencial de outubro, defendendo a preferência pelo nome do ex-presidente Lula (PT), condenado e preso em Curitiba (PR) ( FOTO: AGBR )

São Luís. O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), disse que o ciclo político da dinastia do ex-presidente José Sarney se está esgotado em seu Estado.

Questionado sobre o significado de, após 28 anos, o ex-presidente Sarney transferir o domicílio eleitoral do Amapá de volta ao Maranhão, Dino respondeu.

"Imagino que significa mais na política do Amapá. Eu diria que não foi um gesto de vontade. Ele chegou a ensaiar uma candidatura no Amapá, mas aparecia mal nas pesquisas. Ficou evidente que não tinha mais nenhum papel a jogar lá. O certo é que ficou em uma situação frágil lá".

Sobre as articulações de Sarney para tirar partidos da base do governo de Dino, o governador maranhense comentou com referências bíblicas.

"Ele fez isso mas, graças a Deus, com escasso êxito. São ciclos históricos. No Livro do Gênesis, na Bíblia, quando a mulher de Ló olha para trás ela vira estátua de sal. Acho que isso se aplica também aos ciclos políticos. É um ciclo esgotado no Maranhão porque ninguém quer virar estátua de sal". Sobre o cenário nacional, Dino defende a unidade da esquerda na eleição presidencial, de preferência em torno do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dino, no entanto, admite que a situação de Lula, preso em Curitiba, é uma trava para o diálogo entre os partidos de esquerda sobre outro nome de consenso.

"Temos dificuldade de prognosticar a presença do Lula na urna. Defendo o direito de ele concorrer porque acho que ele foi vítima de uma arbitrariedade. Ainda há muito em jogo, muita perspectiva, e acho fundamental que o Lula se mantenha no debate Levo em conta dois cenários: se Lula for candidato, todos com Lula; se não for é uma eleição aberta", disse.

Sobre a chance de Manuela d'Ávila, escolhida como pré-candidata do PCdoB na corrida presidencial, Dino mostrou-se cauteloso. " Temos uma eleição muito aberta porque sem Lula todo mundo fica ali no mesmo patamar. Todos os candidatos que lideram podem desmanchar, casos do Bolsonaro, da Marina, do Joaquim. Por isso temos que manter a candidatura dela até que se coloque outra dinâmica. Daqui para julho, vamos ver".

Evangélicos

De olho nos votos dos evangélicos, Dino tem estreitado as relações com os grupos religiosos do Estado. Nos últimos meses, Dino aumentou de 14 para 50 o número de capelães contratados pelo governo estadual.

A maioria dos novos cargos foi entregue a líderes evangélicos, alguns deles filiados a partidos da base de Dino.

Além disso, o governador deve destinar uma das vagas ao Senado em sua chapa à deputada Eliziane Gama (PPS-MA), ligada à Assembleia de Deus.

A manobra causou descontentamento do PT, que pleiteava a vaga. No dia 15 de março, o PRP, que integra a oposição a Dino na Assembleia Legislativa do Maranhão, protocolou uma notícia de fato junto ao Ministério Público Eleitoral (MPE) na qual acusa o governador de "abuso do poder eleitoral" por causa da contratação dos capelães.

Segundo a denúncia, Dino criou uma "seita política-administrativa-religiosa eleitoral" com a indicação dos novos capelães para a PM e Bombeiros - em um discurso a pastores ele prometeu criar outros 10 cargos para a Polícia Civil. Dos 34 novos postos, apenas 10 foram destinados à Igreja Católica.

Os outros 24 foram entregues a líderes evangélicos. Os salários, segundo a denúncia apresentada ao MPE, vão de R$ 6 mil a R$ 21 mil. Entre eles estão religiosos filiados ao PDT, PTB, PP, PPS e DEM, todos partidos que integram a base aliada do governo Dino.

As nomeações seguem as normas legais e a escolha dos nomes é uma prerrogativa do governador. Em nota assinada pelos capelães, o governo justifica as contratações dizendo que o aumento do efetivo policial fez crescer a demanda por serviços religiosos nos quartéis.

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