Diálogo entre presidente e empresário é inconclusivo

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00:00 · 19.05.2017 / atualizado às 01:49

Brasília. Em conversa gravada, o presidente Michel Temer (PMDB) afirmou ao empresário Joesley Batista, ao ouvir as iniciativas que o dono do Grupo JBS vinha tomando com relação ao ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ): "Tem que manter isso, viu?".

O diálogo não é conclusivo sobre a realização de pagamentos ao ex-deputado para comprar seu silêncio.

A conversa contém trechos inaudíveis. A gravação tem ao todo 38min57s.

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O trecho em que Batista trata com Temer sobre o seu relacionamento com Eduardo Cunha, que está preso por ordem do juiz federal Sergio Moro, dura cerca de três minutos.

Batista afirma que fez "o máximo" e "zerou tudo", referindo-se a "pendências" que tinha com Eduardo Cunha. O ex-deputado teria "cobrado" algo que não fica claro na conversa. Batista contou ao presidente que tinha um contato em comum tanto com Cunha quanto com seu aliado, o corretor de valores Lúcio Bolonha Funaro: tratava-se do ex-ministro da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima.

Temer concordou com o empresário, falou em "cuidado", em um cenário "complicado" e ponderou que poderia aparentar uma "obstrução à Justiça", crime pelo Código Penal.

Alinhamento

Além de Cunha, Temer e Batista discutiram "alinhamento" para nomeações das presidências do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e da CVM (Comissão de Valores Mobiliários). O empresário se queixou ao presidente da República que Henrique Meirelles está se esquivando de atender os seus pedidos.

"Eu queria ter alguma sintonia contigo para ele não jogar. Pô, Henrique, então você é um banana, não manda porra nenhuma", disse. Antes de entrar para o governo Temer, Meirelles foi presidente do conselho de administração da J&F, holding das empresas da família.

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