Para depor no Congresso

CPMI: Saud, Miller, Joesley e Wesley são convocados

Oitivas devem começar na próxima semana, quando também serão votadas quebras de sigilo

Os irmãos Batista, sócios da JBS, estão presos na sede da Polícia Federal em São Paulo, enquanto o pai dos dois assumiu o comando do Grupo ( Foto: Folhapress )
00:00 · 22.09.2017

Brasília. A CPMI da JBS aprovou, ontem, uma série de convites e convocações. A primeira aprovação foi para a ida do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot para prestar esclarecimentos sobre o acordo de delação premiada firmado entre os executivos da JBS e o Ministério Público e que foi posteriormente rescindido devido à omissão de crimes por parte dos empresários do frigorífico.

Entre as convocações, que diferentemente dos convites, que podem ser recusados, têm a presença obrigatória, foram aprovadas as do ex-procurador Marcello Miller, que orientou a JBS na elaboração do acordo.

Ainda foram aprovadas as convocações do ex-procurador Ângelo Goulart, que foi preso e depois de solto deu entrevista afirmando que Janot queria derrubar o presidente Michel Temer e impedir a ascensão de Raquel Dodge ao topo da Procuradoria Geral da República.

Os depoimentos dos convidados e convocados deverão começar a partir da próxima semana, quando também serão votados quebras de sigilo. Segundo o relator da CPMI, deputado Carlos Marun (PMDB-MS), Goulart é o primeiro que ele deseja ouvir.

Convidados

Também serão convidados a depor o ex-chefe de gabinete de Janot, Eduardo Pelella, os ex-presidentes da Caixa Econômica Federal Maria Fernanda e Jorge Hereda e o presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Leonardo Porciúncula e os delegados que participaram de sete operações em que o grupo JBS foi implicado. Os nomes dos delegados ainda serão solicitados à Polícia Federal.

Irmãos indiciados

Ontem os irmãos Joesley e Wesley foram indiciados pela Polícia Federal (PF) por uso de informação privilegiada e manipulação de mercado. Já o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou um pedido de liminar para revogar a prisão preventiva de Joesley e Wesley. Os advogados dos irmãos Batista vão recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF).

A JBS fez operações nos mercados de câmbio e ações entre abril e 17 de maio passados. Ou seja, período imediatamente anterior ao anúncio do acordo de colaboração premiada firmado pelos executivos com a Procuradoria-Geral da República (PGR). No dia seguinte do anúncio, o dólar registrou aumento de 8%. Os dois estão presos na sede da PF em São Paulo.

Wesley foi preso em 13 de setembro, em sua casa, em São Paulo. Joesley já estava preso por ordem do ministro Edson Fachin, do STF, por suspeita de violação de sua delação premiada. Contra Joesley há duas ordens de prisão. A JBS admitiu a compra de dólares pouco antes do anúncio de delação dos sócios, mas informou que a movimentação estava alinhada com política financeira e de gestão de riscos, com acompanhamento diário da exposição cambial e de commodities. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) instaurou três processos administrativos para investigar o caso.

Comando empresarial

No último sábado, o pai dos dois, José Batista Sobrinho, assumiu a presidência da empresa. Foi o patriarca da família que fundou a empresa, que começou em 1953 como um pequeno açougue em Anápolis, Goiás.

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