Câmara do Rio

CPI contra Crivella será instalada

00:00 · 14.07.2018
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Prefeito carioca conseguiu barrar abertura de processo de afastamento na última quinta-feira (12) ( FOTO: ABR )

Rio de Janeiro. No dia seguinte à votação da proposta de abrir um processo de impeachment contra o prefeito Marcelo Crivella - que fracassou por 16 votos a favor e 29 contra- a oposição aposta agora em Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI) para manter o desgaste do governo. Desde que foi revelado o encontro secreto do prefeito com 250 pastores, no qual ele oferece vantagens para fiéis de igrejas evangélicas, três CPIs buscam assinaturas para serem convocadas na casa.

Nas sexta, vereadores de oposição conseguiram as 17 assinaturas necessárias para a abertura da CPI para investigar o Sistema de Centrais de Regulação (Sisreg), que trata da organização da fila de pacientes para o acesso à rede pública de saúde.

Os apoios foram colhidos pela bancada do PSOL. A CPI vai investigar se o prefeito favoreceu pastores e fiéis da Igreja Universal no acesso à rede pública de saúde. Duas são de autoria da bancada do PSOL, e uma da vereadora Teresa Bergher (PSDB).

"O que se viu por trás dessa votação foi a velha barganha por cargos. Alguns vereadores tentando reaver o que perderam na votação dos inativos; outros negociando mais cargos. Não há uma preocupação com descumprimento de leis, por parte do prefeito, nem com os reflexos do impeachment para a cidade. A Câmara vai manter Crivella sangrando, para negociar outras bebesses para a base", aposta Teresa. A vereadora é autora da CPI da Márcia, que faz referência à servidora que facilitaria o atendimento médico para pessoas na fila do Sisreg.

"Entendo que a CPI da Márcia é a carta na manga da oposição para que a reunião secreta do prefeito com líderes religiosos seja investigada. Não vamos desistir", afirmou Teresa. O vereador Paulo Pinheiro está convicto de que a oposição ao prefeito conseguirá convocar as duas comissões da bancada - uma sobre para investir a isenção de IPTU dada pelo governo a igrejas evangélicas e outra que trata de possíveis fraudes no Sisreg.

Pinheiro afirma também que foi feito um requerimento de informação pedindo detalhes sobre a reunião de Crivella com os pastores no Palácio da Cidade e um Projeto de Lei que dá mais publicidade à fila do Sisreg.

O vereador aponta que apesar do impeachment ter fracassado, isso não significa que Crivella está fora de perigo.

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