Começa perícia para apurar causa

00:00 · 05.09.2018 / atualizado às 10:33
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Peritos da Polícia Federal visitaram os escombros da edificação histórica pela primeira vez, ontem ( foto: AFP )
Rio de Janeiro. Bombeiros e policiais continuavam trabalhando, ontem, no edifício do Museu Nacional do Rio de Janeiro, onde ainda se viam restos fumegantes do incêndio que no domingo o reduziu a ruínas junto a seu patrimônio inestimável.

Poucas pessoas se aproximaram da área, que permanecia com um forte cheiro de queimado, para deixar flores ao pé da estátua de Pedro II, o último imperador do Brasil, que viveu nesse imponente palácio no século XIX. Na véspera, centenas de pessoas se reuniram, comovidas pela perda de um acervo de 20 milhões de peças, construído ao longo de 200 anos.

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Apenas 10% do patrimônio do museu sobreviveu às chamas, segundo a vice-diretora da instituição, Cristiana Serejo. 

João Wagner de Alencar Castro, professor de geologia no museu há 17 anos, contou que três andares caíram em cima de seu laboratório. “Uma grande parte da história da geologia do Museu Nacional, da área de geologia marinha e da área de geologia costeira e sedimentologia foi perdida”, disse.

Os bombeiros encontraram um crânio em meio aos escombros, informou a imprensa local, que especulou sobre a possibilidade de que seja o de “Luzia”, o fóssil humano mais antigo da América do Sul. Mas é necessário que especialistas analisem o material. “É importante agora que o governo redirecione e assuma a responsabilidade de proteger o nosso futuro. Nós perdemos o passado, perdemos a história, mas não temos o direito de nos dar ao luxo de perder o futuro também”, disse Paulo Andreas Buckub, professor de zoologia no Museu.

Perícia

Peritos da Polícia Federal estiveram, ontem, pela primeira vez no interior do Museu Nacional. Segundo os peritos, enquanto as investigações não estiverem concluídas, ninguém pode entrar no prédio nem remexer os escombros para não apagar eventuais pistas que possam ajudar a esclarecer a tragédia.

Segundo a vice-diretora do Museu Cristiana Serejeiro, uma empresa especializada deverá ser contratada para a função. “É praticamente um trabalho de arqueologia”, disse.

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