NOVOS LEGISLADORES

Bancada do Ceará tem renovação de 40,9%

02:36 · 10.10.2010
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A renovação neste ano está abaixo da verificada em 2006, quando 240 deputados não permaneceram na Casa

Renovação é uma palavra bastante pronunciada quando se inicia um novo ciclo. Quando o assunto é política não é diferente. A eleição de novos nomes no cenário nacional é importante para a construção de projetos e o debate de ideias essenciais para o crescimento do País.

Neste contexto, a Câmara Federal estreia mais um ano legislativo com 45% da bancada renovada, o que significa que dos 513 integrantes da Casa, 230 não voltarão em 2011. A proporção de deputados que não tiveram o mandato renovado representa uma média histórica, segundo especialistas, que apontam como normal a mudança em apenas 40% da bancada.

Por outro lado, a renovação neste ano está abaixo da verificada nas eleições de 2006, quando 240 parlamentares não conseguiram permanecer na Casa.

O Estado que mais alterou sua bancada foi Roraima - sete das oito vagas terão novos ocupantes. O Rio Grande do Norte foi o que menos modificou sua base - das oito cadeiras, sete serão de deputados reeleitos.

Os três maiores colégios eleitorais - São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais - tiveram renovação de 44,3%, 46% e 36%, respectivamente. Segundo o Departamento Intersindical de Assessoramento Parlamentar (Diap), a mudança foi a maior em 1990 - 62%. Em 2006, o porcentual atingiu 48,7%.

Cearenses

Na bancada federal do Ceará, não foi diferente. A renovação atingiu a marca de 40,9%. Dos 22 parlamentares eleitos, apenas nove não foram reeleitos. O PT, partido do Presidente Lula, continua com quatro cadeiras na Câmara e conseguiu reeleger os deputados José Guimarães, Eudes Xavier e José Airton. Novato em Brasília, o deputado estadual Artur Bruno vai ocupar a vaga de José Pimentel, que segue para o Senado.

O PMDB, principal partido de sustentação do Governo Lula, conseguiu eleger cinco candidatos. Deste total, três são novatos. Genecias Noronha, Raimundão e Danilo Forte somam-se aos veteranos Aníbal Gomes e Mauro Benevides.

O PSB, partido do governador reeleito, Cid Gomes, dobrou a bancada e conseguiu eleger três nomes novos: Edson Silva, Antônio Balhmann e Domingos Neto. Figurinha carimbada na Câmara, Ariosto Holanda segue para o quinto mandato.

Já o PSDB, continuou com as duas cadeiras e reelegeu Raimundo Gomes de Matos e Manoel Salviano, que havia sido barrado pela Leia da Ficha Limpa e apenas na quarta-feira (6) teve a candidatura aprovada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Também foram reeleitos: Chico Lopes (PCdoB), José Linhares (PP), Gorete Pereira (PR), Vicente Arruda (PR), e Arnon Bezerra (PTB).

Proporcionalidade

No Brasil, as eleições para vereadores e deputados são feitas por meio do sistema proporcional. Neste caso, o voto de cada eleitor vai inicialmente para o partido ou coligação. A determinação do número de vagas de cada partido ou coligação será estabelecida de acordo com a proporção da quantidade de votos que os seus candidatos receberam. A partir disso, os candidatos mais votados dentro da coligação preencherão as vagas.

O deputado federal Raimundo Gomes de Matos (PSDB -CE), reeleito nestas eleições, avalia que o sistema de proporcionalidade dificulta a permanência na Câmara.

"O modelo dificulta não só a reeleição, como a participação de novos candidatos. Não é estimulante participar do processo porque ele não é representativo. Você pode ter um candidato como o Ciro Gomes, que em 2006 ganhou 700 mil votos e conseguiu arrastar candidatos que tiveram apenas 50 mil votos, enquanto outros que tiveram 80 mil não foram eleitos " , avalia o deputado.

O deputado defende o sistema distrital como forma de corrigir as falhas. "O voto distrital garantiria lealdade do político à base, aproximando mais o eleitor do parlamentar, além de baratear as campanhas", disse.

JULIANNA SAMPAIO
ESPECIAL PARA A NACIONAL

NÚMEROS DO PODER
45% dos deputados eleitos para a Câmara Federal são novatos, o que significa que dos 513 integrantes da Casa, 230 não voltarão ao Parlamento no próximo ano

9 parlamentares dos 22 eleitos da bancada cearense não vêm de uma reeleição. O PSDB, partido da oposição, reelegeu seus dois deputados: Raimundo Gomes de Matos e Salviano

O PODER FEMININO
As mulheres ainda são minoria na Casa

A bancada feminina no Congresso Nacional terá poucas alterações em termos numéricos em relação à legislatura atual a partir de 2011. De acordo com dados do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), o Senado terá 12 mulheres, ante as atuais 10, enquanto a Câmara dos Deputados manterá as 45 parlamentares.

Os números demonstram que apesar da minirreforma eleitoral de 2009 prever a obrigatoriedade de os partidos preencherem 30% das vagas com candidaturas de mulheres, a participação feminina no Congresso ainda é pequena.

Foram nove eleitas ao Senado, em 3 de outubro, sete novas parlamentares: Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Lídice da Mata (PSB-BA), Marinor Brito (PSOL-PA), Gleisi Hoffman (PT-PR), Ângela Portela (PT-RR), Ana Amélia Lemos (PP-RS) e Marta Suplicy (PT-SP). Apenas Lúcia Vânia (PSDB-GO) já é senadora, portanto foi reeleita. Já Ana Rita Esgário (PT-ES) assumirá o mandato em substituição a Renato Casagrande(PSB), eleito governador do Espírito Santo. Até hoje, apenas 33 mulheres já passaram pela Casa.

Rostos novos

Na Câmara, apesar de o número de mulheres permanecer igual, há renovação de metade dos nomes. Das deputadas, 23 foram reeleitas e 22 estreiam na Casa, embora tenham experiência na vida pública.

A deputada distrital Érica Kokai (PT-DF), a ex-prefeita de Olinda Luciana Santos (PCdoB-PE) e a deputada estadual Mara Gabrilli (PSDB-SP) são alguns dos casos. Ex-deputadas federais também retornarão na próxima legislatura, atis como: Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Benedita da Silva (PT-RJ) e Luci Choinaki (PT-SC)

Muitas das parlamentares eleitas tem parentesco com políticos tradicionais. Nilda Gondim (PMDB-PB) é filha do ex-governador da Paraíba, Pedro Gondim. Iracema Portela (PP-PI) é esposa do atual deputado federal e senador recém-eleito Ciro Nogueira (PP). Jaqueline Roriz (PMN-DF) é filha do ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz (PSC).

Campeãs de votos

Entre as deputadas reeleitas há campeãs de votos em seus respectivos estados. Entre elas está Manuela D´Ávila (PCdoB-RS) que atingiu o quociente eleitoral do Estado que representa com o apoio de 482.590 eleitores gaúchos. Dona Íris (PMDB), reeleita em Goiás, obteve 185.934 votos, tendo atingido o quociente eleitoral do estado

A deputada reeleita Ana Arraes (PSB-PE), filha do governador de Pernambuco reeleito Eduardo Campos (PSB), teve 387.581 votos e alcançou o quociente eleitoral do estado.

Completam a lista das deputadas que conseguiram se reeleger com os próprios votos Elcione Barbalho (PMDB-PA, 209.635 votos), Fátima Bezerra (PT-RN, 220.355 votos), Marinha Raupp (PMDB-RO, 100.522 votos) e Teresa Jucá (PMDB-RR, 29.804 votos). A cearense Gorete Pereira (PR) foi reeleita com 98.209.

As sete deputadas integram o grupo de 35 parlamentares em todo o Brasil que foram eleitos ou reeleitos exclusivamente com suas votações nominais.

O estado que elegeu a maior bancada feminina foi o Espírito Santo. Dos dez representantes, quatro são mulheres.

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