Primeiro turno

Assassinatos de políticos ofuscam eleições municipais

O ministro da Justiça afirmou que o atentado em Itumbiara se trata de um "lamentável ponto fora da curva"

00:00 · 30.09.2016
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O corpo do candidato a prefeito no estado de Goiás, José Gomes Rocha, foi velado ontem no Teatro Municipal de Itumbiara ( Foto: Assembleia Legislativa de Goiás )

Rio de Janeiro. Uma série de assassinatos de candidatos domina a campanha para as eleições municipais do próximo domingo no Brasil e provoca temores de que as tensões políticas enveredem por territórios perigosos.

Os crimes se concentram principalmente no Rio de Janeiro, estado onde houve 15 assassinatos de candidatos a prefeito ou vereadores nos últimos nove meses, ainda que grandes atentados tenham ganhado as páginas principais durante esses dias.

Um candidato à Prefeitura de Itumbiara, em Goiás, José Gomes Rocha (PTB), e um policial foram mortos a tiros na última quarta-feira durante carreata da campanha onde o atual governador do estado participava, José Eiton Júnior (PSDB), que ficou gravemente ferido.

O corpo do candidato foi velado ontem no Teatro Municipal de Itumbiara. O agressor, identificado como um funcionário da Prefeitura, foi morto.

Em Minas Novas (MG), o prefeito e candidato Gilberto Gomes da Silva (PPS)foi baleado também na quarta-feira por um motociclista, mas saiu ileso. Ontem, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes, prometeu impulsionar a "investigação dos possíveis atentados políticos contra candidatos".

As Forças Armadas vão empregar 25 mil militares para segurança e apoio logístico no primeiro turno das eleições municipais, segundo o Ministério da Defesa. O contingente das três forças vai atuar em 408 localidades de 14 estados definidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que fez a solicitação. Do total, os militares reforçam a segurança em 307 cidades de 12 estados.

Os brasileiros irão eleger em 2 de outubro mais de 5.500 prefeitos, em um ambiente político marcado pela recente destituição da presidente Dilma Rousseff (PT), substituída por seu vice Michel Temer (PMDB).

Fora da curva

O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, afirmou que o atentado ocorrido na quarta-feira, em Itumbiara, no sul de Goiás, se trata de um "lamentável ponto fora da curva". Ele esteve em Goiânia para visitar o vice-governador e secretário de segurança pública, José Eliton, que está internado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital de Urgência Governador Otávio Lage, na da capital goiana.

Alexandre de Moraes estava acompanhado do diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello Coimbra, e do governador em exercício, Hélio de Sousa. "Até o momento não será necessária uma investigação federal do caso. Estamos dando o apoio necessário", afirmou.

"Se houver algum indicativo de crime político ou eleitoral haverá o deslocamento de competências, mas continuaremos atuando em conjunto com a polícia local", reforçou.

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