Doria 'volta à cena'

Alckmin anuncia equipe econômica, sob pressão

Inclusão do nome de ex-prefeito paulistano em pesquisa eleitoral preocupa equipe do ex-governador de SP

Postulante ao Palácio do Planalto, o tucano Geraldo Alckmin (SP) apresentou, ontem, grupo que o assessorará em temas econômicos, que conta com nomes experientes como Pérsio Arida (e) e José Roberto Mendonça de Barros (d) ( Foto: Agência Estado )
00:00 · 18.05.2018

São Paulo. Pesquisa registrada na Justiça Eleitoral pelo Instituto Ipsos na última quarta-feira vai medir a aprovação e o grau de conhecimento de João Doria e Geraldo Alckmin, entre outros presidenciáveis e pessoas que sequer são filiadas a partidos políticos, como os ministros do Supremo Gilmar Mendes e Cármen Lúcia e o juiz Sérgio Moro. 

A divulgação está prevista para terça-feira (22). Pelo menos desde março, o ex-prefeito de São Paulo não aparecia em levantamentos eleitorais por causa da indicação dele para a sucessão estadual. Preocupa a equipe de Alckmin que isso se repita em outras pesquisas. 

A depender da performance de Doria, a situação acentuaria a desconfiança que vem enfrentando a candidatura do tucano dentro e fora do PSDB.

Em tempos difíceis, Alckmin tenta produzir fatos políticos, como o anúncio de experts para a formulação de seu programa de governo acontecerá a conta-gotas e por temas. Ontem, ele apresentou três nomes que formarão a equipe econômica chefiada por Pérsio Arida. Na semana que vem, serão apresentados integrantes dos grupos de Segurança Pública e Educação.

Mais dois figurões que trabalharam no Plano Real vão compor o time econômico tucano – Edmar Bacha e José Roberto Mendonça de Barros. O terceiro nome apresentado foi o de Alexandre Mendonça de Barros, filho de José Roberto e especialista em agronegócio.

Em São Paulo, o pré-candidato lançou novas promessas para a área econômica: zerar o déficit fiscal de R$ 136 bilhões nos primeiros dois anos de governo e aumentar em 50% as exportações e exportações a “longo prazo”. Pérsio aproveitou a oportunidade para explicar melhor a proposta que vem sendo repetida pelo pré-candidato nas últimas semanas. “Dobrar a renda do brasileiro não é algo que se consegue em um ano nem em um mandato nem em dois”, afirmou o coordenador do plano econômico alckmista.

Queda

O levantamento divulgado esta semana pelo CNT/MDA e que apontou uma queda da intenção de voto em Alckmin entre os meses de março e maio — de 8,6% para 5,3% — fez ressurgir especulações de uma substituição do seu nome. Doria seria um dos cotados à vaga. O entorno do presidenciável tucano diz que não passam de rumores. 

O próprio Doria saiu em defesa de Alckmin na quarta dizendo que ele ainda crescerá nas pesquisas quando as articulações por apoios estiverem encerradas e a campanha começar. Alckmin adotou o mesmo discurso: “Tem que crescer na hora certa. Eleição é daqui cinco meses”.

Nos bastidores, o time alckmista reclama de um certo abandono da campanha dele pelas lideranças do PSDB. Nessa semana, ele tornou-se alvo mais uma vez do noticiário ligado à Lava-Jato e, na avaliação de auxiliares mais próximos, nem aliados foram a público defender o pré-candidato. “Parece que ele é candidato de si mesmo – desabafou um desses colaboradores”.

O ex-governador tem recebido críticas de colegas de partido que acham que ele deveria investir mais seu tempo na pré-campanha em viagens pelo País. 

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