De equipe da Unesco

Ajuda técnica ao Museu Nacional chega amanhã

Há oito dias, a edificação foi atingida por um incêndio que destruiu a maior parte de seu acervo

00:00 · 10.09.2018
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Um grupo de especialistas já está trabalhando no interior do prédio na tentativa de localizar peças que não tenham sido destruídas pelo fogo ( Foto: folhapress )

Rio de Janeiro. O Museu Nacional do Rio de Janeiro, na Quinta da Boa Vista, começa a receber hoje tapumes em seu entorno para que sejam iniciadas as obras de contenção e outros procedimentos para manter a estrutura do palácio segura.

Há pouco mais de uma semana, o prédio foi atingido por um incêndio de grandes proporções que destruiu a maior parte de seu acervo de 20 milhões de itens. As informações são da Agência Brasil. A vice-diretora do Museu Nacional Cristiana Serejo confirmou que, amanhã, começam a chegar no Rio técnicos da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) que vão auxiliar nos trabalhos.

De acordo com Roberto Leher, o reitor da UFRJ, instituição a qual o Museu é vinculado, a Unesco ofereceu especialistas que já trabalharam em tsunamis e outros desastres para ajudar na remoção dos escombros.

Com a colocação dos tapumes, começam as obras de contenção e outros procedimentos para manter a estrutura do palácio segura e permitir mais buscas nos escombros na tentativa de localizar peças do acervo que tenham escapado do fogo. Uma equipe de especialistas, sob o comando de arqueólogos do museu realizará esse trabalho, com apoio de engenheiros contratados para garantir a segurança nos escombros.

De acordo com Cristiana, o grupo de especialistas é formado também por museólogos do Instituto Brasileiros de Museus (Ibram) e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e já está trabalhando no interior do prédio atingido pelas chamas. Ela explicou que os trabalhos ocorrem em duas frentes: uma estrutural e uma de resgate do acervo. A expectativa é de que no decorrer dessa semana sejam liberados R$ 10 milhões do Ministério da Educação para ações emergenciais na segurança do prédio.

A UFRJ já está fazendo um termo de referência, com a relação dos serviços mais necessários nessa etapa emergencial. Segundo Cristiana Serejo, o museu vai aceitar também doações de outras instituições. Contatos com essa finalidade já estão sendo feitos pela direção do museu.

"O Museu Nacional está tentando se organizar", afirmou a vice-diretora. Na manhã de ontem, um cursinho pré-vestibular da cidade promoveu um aulão nas imediações do museu sobre a história e as memórias da instituição, fundada em 1818.

Aos alunos foi pedido que levassem fotos e lembranças do museu. A aula foi aberta para todos que estavam visitando a Quinta da Boa Vista. Durante a aula, professores contaram a história do prédio onde funcionava o museu, como foi sua criação e como se formou seu acervo.

Em seguida houve um debate crítico sobre como estão a educação e a cultura no Brasil.

"Cada peça do museu tinha sua história e ela provocava histórias diferentes. Quem foi lá e viu uma múmia, um dinossauro, tem uma história diferente para contar, porque é uma relação pessoal das pessoas com aquele acervo", disse à Agência Brasil o professor de história do cursinho, Tadeu Lemos

O estudante Luís Henrique Gomes da Costa compareceu ao aulão. Ele contou que visitou o Museu Nacional pela última vez quando era criança.

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