Aécio teria recebido R$ 80 milhões da JBS

Tucano Aécio Neves é acusado de agir para conter Lava-Jato ( Foto: AFP )
00:00 · 20.05.2017 / atualizado às 01:03

Brasília. O senador Aécio Neves (PSDB-MG) negou, por meio de nota, que tenha atuado para criar "qualquer empecilho" aos avanços da Operação Lava-Jato. Segundo o presidente licenciado do PSDB, ele foi um dos primeiros a "hipotecar apoio à operação". Em uma das conversas com um dos donos da JBS, Joesley Batista, Aécio falou da necessidade de aprovar no Congresso a anistia ao Caixa 2 e que conversou com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e o presidente Michel Temer para aprovar a proposta do abuso de autoridade.

Em nota divulgada pela assessoria de imprensa na sexta-feira (19), o tucano diz que "manifestar posições em relação a propostas legislativas é algo inerente à atividade parlamentar".

Ele também declarou que, "em relação aos comentários feitos em conversa privada sobre delegados da Lava-Jato, o senador emitiu uma opinião em face da demora da conclusão de alguns inquéritos".

Para o Procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a delação da JBS aponta que Aécio tem atuado para impedir o avanço das investigações da Lava-Jato.

"Verifica-se que Aécio Neves, em articulação, dentre outros, com o presidente Michel Temer, tem buscado impedir que as investigações da Lava Jato avancem, seja por meio de medidas legislativas, seja por meio do controle de indicação de delegados de polícia que conduzirão os inquéritos", escreveu Janot no pedido de abertura de inquérito.

De acordo com o PGR, as provas já colhidas indicam o cometimento de crimes de corrupção passiva por Aécio. "Verificou-se que, por intermédio de sua irmã, Andrea Neves da Cunha, Aécio Neves solicitou propina para Joesley em pelo menos uma oportunidade"", afirmou Janot. Andrea foi presa na quinta-feira.

Joesley também revelou que Andrea pediu R$ 40 milhões ao dono da JBS para a compra de um imóvel no Rio de Janeiro.

Ele disse ainda que condicionou o pagamento à nomeação de um indicado seu para o comando da Vale mas que a operação não se concretizou.

LEIA MAIS:

Delatores da JBS citam repasses de R$ 20 mi a Cid e R$ 5 mi a Eunício

Votações serão mantidas, diz Eunício

Fracassa tentativa de Temer estancar crise

Áudio teria cortes, aponta perícia

Planalto afirma que não há prova de atuação pró-Cunha

Mouco admite relação com JBS, desde 2010

Senha era 'dar alpiste', diz delator

Joesley diz que pagou R$ 170 mi a esquema

Conta destinada ao PT somaria US$ 150 mi

Congressistas do Ceará ainda estão atônitos com crise

'Momento é o mais crítico', afirmam deputados

Joaquim Barbosa pede 'mobilização'

Dólar recua 4%; Bolsa se recupera e sobe 1,69%

Agências alertam para risco de rebaixamento do País

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.