Coluna

Tom Barros: Ferrão monumental

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Tom Barros

tom@diariodonordeste.com.br • Colunista da editoria Jogada.

00:00 · 16.02.2018 / atualizado às 00:40

Levantou-se o Ferroviário histórico das grandes temporadas. O tricolor dos velhos tempos nos novos tempos. Um time a encher de orgulho os cearenses. Um feito que entra para rol das jornadas memoráveis. O Ferrão capaz de, em 15 minutos, transformar a humilhante goleada (3 x 0) que sofria num triunfo avassalador. O Ferroviário esmagou o Sport, deixando-o destroçado dentro de sua própria Ilha. Um Sport aparvalhado a contemplar a reação de um adversário que os pernambucanos já consideravam morto e sepultado. Aí Mazinho agigantou-se e fez dois gols. Aí Valdeci empatou e levou a decisão para os pênaltis. Aí surgiu o Tubarão que eles desconheciam. Tubarão devorador. Ferroviário monumental.

Comemoração

O saudoso comentarista Paulino Rocha dizia que em vitórias brilhantes os erros ficam encobertos pelas comemorações. Assim pouco importa o que o time comandado por Ademir Fonseca cometeu de equívocos. Importa destacar a bravura com que se impôs na hora em que resolveu definir. Hora de vibrar, pois.

Imprevisível

Quem poderia acreditar na reação coral? Ao ver o terceiro gol do Sport, dei por perdido. Não sabia que em campo havia um grupo com tanto brio, com tanta garra, com tanta coragem, com tanta determinação. Agora sei. Daqui para frente não duvidem desse time que foi capaz de transforma em possível o impossível.

No momento certo

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Valdeci, o autor do gol do empate (3 x 3) do Ferroviário sobre o Sport em Recife, vinha tendo boas atuações. Diante do Floresta, na estreia do técnico Ademir Fonseca em Caucaia, Valdeci foi um dos melhores. Ontem, em dois momentos, mostrou frieza na conclusão. No lance já citado do terceiro gol e na cobrança de pênalti, onde a pressão era maior.

Repercussão

A vitória do Ferroviário ganhou as manchetes nos jornais, emissoras de rádio e televisão de todo o Brasil. Não foi apenas o fato de eliminar o Sport dentro da Ilha, mas principalmente a forma heroica como o fato aconteceu. Não lembro de nenhum time cearense ter feito algo semelhante em Recife.

Liderança

Mazinho, o homem que puxou a reação coral. A liderança que se estabeleceu quando chamou a responsabilidade e assumiu a condução da equipe no instante em que a descrença predominava. Iluminou o grupo. Abriu caminhos. Fez dois gols no jogo e um gol na decisão por pênaltis. Acreditou. Ganhou.

Momento final

O goleiro Bruno Colaço foi frio na hora em que precisou ser frio. Inabalável, imperturbável, garantiu o Ferrão ao pegar os dois pênaltis finais. Se Mazinho levou o time à reação, coube ao goleiro Colaço garantir-se no instante decisivo. Colaço se garantiu. Duas defesas que deram a classificação. Também acreditou.

Time de todos

Ontem ficou provado que o Ferroviário é o time de todas as torcidas. Conseguiu unir na mesma emoção e desejos as duas maiores torcidas do estado. Torcedores do Ceará e do Fortaleza batendo o mesmo coração pelo Ferroviário. Torcedores alvinegros e tricolores de aço atentos e nervosos nos momentos mais dramáticos do jogo. E vibrando juntos quando confirmada a classificação. O Ferroviário de ontem transcendeu. Fechou a noite numa apoteótica comemoração.

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