Coluna

Tom Barros: A Copa virou facão

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Tom Barros

tom@diariodonordeste.com.br • Colunista da editoria Jogada.

00:00 · 17.02.2017

Ainda vai repercutir muito o estrago da primeira rodada da Copa do Brasil, no novo modelo de eliminação imediata após um jogo. Mas opto por chamar a atenção do leitor para o seguinte fato: nos anos anteriores, nenhum time teria caído em razão do jogo de volta. Então, a decisão da CBF de eliminar o jogo de volta gerou situação inusitada que só posteriormente será sentida na sua verdadeira dimensão. Creio que a Copa do Brasil é a única no mundo a adotar tamanho absurdo. Observem que em todo lugar no mínimo há o mata-mata, ou seja, uma série de dois jogos para classificar um clube. A invenção de eliminar com um só jogo teria de partir mesmo dos sábios teóricos da CBF que fazem política de conveniência. A Copa do Brasil, nas duas primeiras rodadas, virou facão...

Dia seguinte

Madrugada a dentro, o destino de Hemerson Maria e Gilmar Dal Pozzo estava sendo traçado nos bastidores das duas equipes. Adversários nos respectivos times, mas companheiros de infortúnio, Gilmar e Hemerson foram mandados ao cadafalso. E executados quase ao mesmo tempo. Por pouco não em praça pública ao clamor dos descontentes.

Amostra

A demissão dupla, quase ao mesmo tempo, dos técnicos dos dois maiores times do estado, é apenas uma pequena amostra do que virá por aí em pressão e cobrança. Treinador nasceu para expiar os seus pecados e os pecados de terceiros. E os técnicos que vierem, se não obtiverem vitórias imediatas, passarão pelos mesmos problemas.

Recordando

Década de 1960. Fortaleza Esporte Clube. A partir da esquerda (em pé): treinador Moésio Gomes, Lucídio Pontes, Dezinho, ? , ? , Olavo e Iá. Na mesma ordem (agachados): Zé Augusto, Etevaldo, Facó, Lídio Neto, ? . Desse grupo, Lucídio Pontes foi posteriormente vitorioso treinador, conquistado inclusive título de campeão cearense pelo Ferroviário. Facó foi ídolo no Fortaleza e no Ferroviário. (Álbum de Elcias Ferreira).

Insulto

Dal Pozzo demitido. Acontece. Mas inadmissível a humilhação por que passou no Aeroporto Pinto Martins, quando cercado por um grupo de torcedores do Ceará. Humilhação maior não poderia ter passado o treinador. E, depois, alguns jogadores do Ceará também passaram por situação semelhante. Um absurdo que tem de ser extinto.

Interpretação

Dizem que o Campeonato Cearense é competição inferior. Dizem que a Copa do Brasil também não vale nada. Sim, valendo ou não, os técnicos há muito não se seguram nos dois primeiros meses do ano. E perdem seus empregos em pleno correr dos certames estaduais. Sendo assim, pergunto: afinal, essas competições valem ou não valem?

Retorno

Vladimir de Jesus de volta ao Ferroviário, onde esteve em 2015. Tem experiências diversas, máxime pelos conhecimentos adquiridos quando dirigiu Icasa, Guarany de Sobral, Tiradentes e Flamengo do Piauí. É estudioso do futebol, aplicado. Tem nova chance. Desta vez pega um Ferroviário mais definido, com melhores condições de trabalho.

Dois presidentes. O pesquisador Eugênio Fonseca descobriu um fato interessante: nomes que presidiram dois times de futebol. Boanerges Cyrne de Farias Saboia presidiu o Tramways (1943) e o Luso (1946); Antonio Viana Rodrigues presidiu o Luso (1947) e o Ceará (1951); Silvio Carlos Vieira Lima (Riachuelo, de 1965 a 1968, e o Fortaleza (1981/1982 e 1987/1989); José Lino da Silveira Filho (América, 1965/1966 e Ceará, 1970/1973 e 1997). Amanhã, divulgarei mais nomes.

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