África do Sul

Zuma renuncia à Presidência do país

Acusações de corrupção derrubam líder africano, após pressões de seu partido e fortalecimento do seu vice e sucessor

Jacob Zuma comandava a nação desde 2009, mas denúncia de ter recebido suborno em troca de contratos públicos selou o seu destino político ( Foto: AFP )
00:00 · 15.02.2018

Pretória/Cidade do Cabo. O presidente sul-africano, Jacob Zuma, anunciou sua renúncia ontem, em meio a acusações de corrupção que levaram o seu partido a deixar de apoiá-lo.

No poder desde 2009, Zuma renunciou em um discurso de 30 minutos transmitido pela TV sul-africana na noite de ontem. Ele afirmou que discorda da maneira como seu partido, o Congresso Nacional Africano (CNA), exigiu sua saída do cargo. "Cheguei à decisão de renunciar como presidente da República, com efeito imediato", afirmou Zuma.

"Apesar de discordar da decisão da liderança da minha organização, sempre fui um membro disciplinado do CNA", disse.

O partido ordenou que Zuma deixasse a presidência na terça-feira. Como o presidente se recusava em fazê-lo, o CNA anunciou que apoiaria moção da oposição no Parlamento, um voto de desconfiança, para forçar sua saída. "Nenhuma vida deveria ser perdida em meu nome. E o CNA também não deveria ficar dividido em meu nome", acrescentou Zuma no pronunciamento.

"Devo aceitar que se meu partido e meus compatriotas desejam que eu seja removido, eles devem fazê-lo na maneira prescrita pela Constituição", disse.

Queda de braço

O atual vice, Cyril Ramaphosa, deve assumir a Presidência até o fim do atual mandato, em 2019, e pode tomar posse amanhã.

Os dois líderes protagonizam uma queda de braço desde dezembro, quando Ramaphosa venceu a disputa para substituir Zuma no comando do CNA, partido que dirige o País desde o fim do apartheid, em 1994.

"Essa decisão dá ao povo da África do Sul certeza em um momento em que desafios sociais e econômicos ao país requerem uma resposta urgente e resoluta", afirmou o vice-secretário-geral do CNA, Jessie Duarte.

Aos 75 anos, Zuma enfrenta uma série de acusações de corrupção. Sua ligação com a família Gupta, acusada de subornar autoridades em troca de contratos públicos, também é alvo de escrutínio.

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