pressão sobre maduro

Washington considera ação militar em Caracas

Para amenizar a tensão, o presidente do país sul-americano avalia se encontrar com o líder norte-americano

Ratificado como chefe do Executivo venezuelano, Nicolás Maduro afirmou que vai contestar sanções e criticou países "subordinados" aos EUA ( Foto: AFP )
00:00 · 12.08.2017

Washington/Caracas. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, na sexta-feira (11), que não descarta "uma possível opção militar" na Venezuela, imersa em uma crise política e econômica.

"Temos muitas opções para a Venezuela, incluindo uma possível opção militar se for necessário", disse Trump, em seu clube de golf em Bedminster (Nova Jersey), onde está em férias.

Nicolás Maduro determinou a seu chanceler que acerte uma "conversa pessoal" com Trump, que impôs sanções à Venezuela após a instalação de uma Assembleia Constituinte chamada de "fraude" pela oposição.

"Inicie gestões, chanceler, para que eu tenha uma conversa pessoal com Donald Trump, inicie gestões para termos uma conversa telefônica com Donald Trump", disse o presidente venezuelano ao ministro das Relações Exteriores, Jorge Arreaza, em um discurso à Constituinte.

O presidente socialista também determinou que Arreaza organize uma reunião com Trump, "se possível", por ocasião de sua viagem à Nova York para a Assembleia Geral das Nações Unidas, no próximo dia 20 de setembro. "Se ele está tão interessado na Venezuela, eu aqui estou, aqui está o chefe do seu interesse (...), aqui está a minha mão", disse Maduro.

Acusando Maduro de "ditador", o Tesouro dos EUA congelou em 1º de agosto todos os seus ativos nos EUA, um dia após a eleição da Constituinte.

Washington impôs sanções semelhantes a cerca de 20 funcionários e ex-colaboradores do governo venezuelano, em retaliação à instalação da Constituinte.

Apesar de propor o diálogo com o presidente americano, Maduro vinculou Washington ao ataque perpetrado no domingo passado, por um grupo de 20 homens armados, contra uma guarnição militar da cidade de Valencia, que deixou dois mortos e oito detidos. "Voltaram com os métodos brutais de golpe de Estado. O assalto terrorista ao Forte Paramacay, repelido pela Força Armada Nacional, é a expressão da nova era Trump".

Após declarar que deseja relações "normais" com os EUA, Maduro advertiu que seu país responderá "com as armas na mão" a qualquer agressão. "A Venezuela jamais vai se render (...), deve saber o Império americano".

Sobre a sanção do Tesouro dos EUA, Maduro anunciou sua intenção de recorrer à justiça americana alegando falta de "base moral" na decisão.

Prisão para 'intolerantes'

O presidente também disparou contra os países vizinhos, após 12 governos da América condenarem Maduro por uma "ruptura" da democracia e desconhecerem a Constituinte, também rejeitada pela União Europeia.

"Os que conspiram contra a Venezuela (...) são os governos mais selvagemente subordinados à política externa dos EUA".

Diante dos congressistas, Maduro apresentou uma lei que prevê penas de 15 a 25 anos de prisão para quem "expressar ódio, intolerância e violência".

No encerramento da sessão, os 545 constituintes ratificaram Maduro como presidente da Venezuela, após o mandatário socialista declarar sua subordinação à Assembleia Constituinte.

Já o presidente da Argentina, Mauricio Macri, retirou, por meio de um decreto, uma condecoração concedida em 2013 a Maduro, pela então chefe de Estado Cristina Kirchner, entre outros motivos por desrespeitar os direitos humanos e a ordem democrática.

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