Eleição na rússia

Vladimir Putin caminha para quarto mandato

Moscou trabalha com uma meta de reeleição de 70% dos votos; em pesquisa, segundo lugar aparece com apenas 7%

Vladimir Putin, de 65 anos, vai acumular o período mais longo no poder de um dirigente russo desde Josef Stálin, ex-líder da extinta União Soviética ( FOTO: AFP )
00:00 · 17.03.2018

Moscou. O presidente russo, Vladimir Putin, caminha para conquistar um quarto mandato neste domingo (18), que o deixaria no poder até 2024, ao fim de uma campanha sem suspense.

Nessa campanha, Putin buscou, acima de tudo, garantir uma participação satisfatória em meio a um clima de extrema tensão com o Ocidente.

As sanções britânicas em reação ao envenenamento do ex-agente duplo Serguei Skripal na Inglaterra reforçaram a impressão de uma nova Guerra Fria desde o retorno de Putin ao poder em 2012, com o conflito na Síria, a crise na Ucrânia e a acusação de ingerência na eleição presidencial americana.

Putin terminou sua campanha com uma visita à Crimeia, península ucraniana que, no domingo, participará da eleição presidencial russa pela primeira vez desde sua anexação há quatro anos. "Com essa decisão, restabeleceram a justiça histórica, interrompida na época soviética", declarou Putin, em discurso para partidários em Sebastopol.

"Mostraram ao mundo inteiro o que é uma verdadeira, e não uma falsa democracia", pregou.

Putin, de 65 anos, dos quais 18 como presidente ou premiê, acumula o período mais longo no poder de um líder russo desde Stálin (30 anos de governo).

Da península de Kamtchatka, ao leste, ao enclave de Kaliningrado, ao oeste, os 107 milhões de eleitores desse imenso país com 11 fusos horários começarão a votar às 8h locais - sábado, às 20h GMT (17h, em Brasília), no caso dos primeiros colégios eleitorais, ao leste; e domingo, às 18h GMT (15h, em Brasília), no caso dos últimos, a oeste. Nas regiões mais remotas, a votação já está ocorre para facilitar o transporte das urnas, de modo que os nômades Nenets no Ártico também possam se expressar.

Sem suspense

Na última pesquisa do instituto público VTsIOM, Putin aparece com 69% das intenções de voto. O segundo candidato, Pavel Grudinin (Partido Comunista), teria 7%; e o terceiro, o ultranacionalista Vladimir Zhirinovski, cerca de 5%. Os outros cinco candidatos aparecem com um registro pouco significativo.

"A concorrência não é suficiente", disse Andrei Buzin, copresidente do movimento especializado em defesa dos direitos dos eleitores Golos, para quem "todo o espectro político russo não está representado".

O grande ausente na eleição presidencial é o opositor número um do Kremlin, Alexei Navalni, o único que consegue mobilizar milhares de pessoas, mas que está inabilitado a se candidatar devido a uma condenação judicial. Para ele, trata-se de uma orquestração do governo.

O Kremlin trabalha para que a participação seja a mais alta possível. A meta é 70% de participação e 70% de votos para Putin.

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