Tragédia em Gênova

Viaduto desaba e deixa 26 mortos em cidade italiana

Vítimas ficaram sob os escombros de parte da estrutura que estava em obras; fortes chuvas dificultaram resgate

Testemunhas do colapso da edificação relataram à imprensa cenas de horror; queda prejudicou também circulação de trens e uma fábrica de energia ( FOTO: AFP )
00:00 · 15.08.2018

Gênova. Um trecho de um viaduto na rodovia A10 desabou ontem na cidade italiana de Gênova, deixando dezenas de vítimas, com pelo menos 26 mortos. No Twitter, o ministro italiano dos Transportes, Danilo Toninelli, declarou que o desabamento é "uma imensa tragédia".

Várias pessoas ficaram sob os escombros da ponte Morandi, de cerca de 100 metros de altura, após a queda de vários veículos no vazio. "Uma cena apocalíptica", contou uma testemunha à emissora Isoradio, especializada no tráfego em autoestradas.

As primeira imagens divulgadas pelos meios de comunicação mostraram a ponte, sem dezenas de metros, no meio da neblina que domina a zona industrial. A Direção Nacional dos Bombeiros de Gênova informou que a infraestrutura desabou, em grande parte, sobre vias férreas cruzadas pelo viaduto.

Várias pessoas foram retiradas com vida. A zona do acidente é muito povoada e, segundo a empresa encarregada da manutenção das autoestradas, a Autostrade, o trecho que caiu estava em obras.

Todos os hospitais da região foram mobilizados para receber os feridos. A televisão transmitiu a gravação do dramático momento, em que uma testemunha assiste à queda do viaduto. "Meu Deus, meu Deus, meu Deus!", exclama, horrorizado. As fortes chuvas que castigam a zona cessaram após duas horas, permitindo a participação de um número maior de socorristas e de helicópteros.

O desabamento do viaduto também afetou a parte da fábrica Ansaldo Energia de Gênova, uma das plantas de produção de energia elétrica da Itália. Os serviços de Meteorologia emitiram um alerta de tempestades na Ligúria. De acordo com os bombeiros, a ponte Morandi desabou ao meio-dia (7h de Brasília). A autoestrada A10, onde aconteceu o episódio, une Gênova com Ventimiglia na fronteira francesa, em uma sucessão de pontes e túneis pela geografia acidentada do lugar.

Falha estrutural

Essa ponte de 1.182 metros de extensão foi inaugurada em 1967 e restaurada em 2016. Foi construída entre 1963 e 1967, com uma estrutura mista, de concreto armado pré-fabricado e concreto armado comum.

A Polícia não descarta que se trate de uma falha estrutural da ponte. Uma investigação foi aberta para estabelecer os responsáveis pela tragédia. O grupo italiano Atlantia, que tem a concessão do viaduto que desabou, têm negócios no Brasil, Chile e Espanha, e tem como acionista a tradicional família de industriais Benetton.

Brasil

No Brasil, a empresa italiana integra, junto com o grupo Bertin, a joint venture AB Concessões S/A. Segundo informa o site do grupo, a AB Concessões S/A administra mais de 1.500 quilômetros de rodovias, sendo "responsável pelas concessionárias Triângulo do Sol (100%), Rodovias das Colinas (100%) e Rodovias do Tiête (50%), em São Paulo, e a Nascentes das Gerais (100%), em Minas Gerais", detalhou a página.

1

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.