Com Palestina

Vaticano diz ter fechado 1º tratado

Documento não representa o primeiro reconhecimento do Estado da Palestina pela Santa Sé

00:00 · 14.05.2015
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Acordo poderia ser assinado durante a visita do presidente Mahmud Abbas ao papa Francisco ( Foto: reuters )

Cidade do Vaticano. O Vaticano concluiu seu primeiro tratado que reconhece formalmente o Estado da Palestina, um acordo para atividades da Igreja Católica em áreas controladas pela Autoridade Palestina, informou a Santa Sé ontem.

O acordo "visa melhorar a vida e as atividades da Igreja Católica e seu reconhecimento na esfera judicial", disse o monsenhor Antoine Camilleri, vice-ministro de Relações Exteriores do Vaticano, que liderou uma delegação de seis pessoas nas negociações.

O texto do tratado foi concluído e será assinado oficialmente pelas respectivas autoridades "no futuro próximo", informou um comunicado conjunto emitido pelo Vaticano.

Autoridades do Vaticano disseram que, apesar da importância do acordo, o documento não representa o primeiro reconhecimento do Estado da Palestina pela Santa Sé.

"Nós reconhecemos o Estado da Palestina desde quando recebeu reconhecimento da Organização das Nações Unidas, e já está listado como Estado da Palestina em nosso anuário oficial", disse o padre Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano.

Reconhecimento

Em 29 de novembro de 2012, a Assembleia-Geral da ONU adotou uma resolução reconhecendo a Palestina como Estado observador não membro. O Vaticano também ocupa a posição de observador não membro na Nações Unidas. A Santa Sé utilizou oficialmente pela primeira vez, em fevereiro de 2013, a expressão "Estado da Palestina".

De acordo com a agência especializada I.Media, o acordo poderia ser assinado já no próximo fim de semana, durante a visita do presidente palestino, Mahmud Abbas, por ocasião da canonização de duas freiras palestinas, Mariam Bawardi e Marie-Alphonsine Ghatas, no domingo (17). O acordo sobre o lugar da Igreja nos territórios palestinos também expressa o apoio do Vaticano a uma solução "para o conflito entre israelenses e palestinos como parte da fórmula de dois Estados", indicou o Monsenhor Antoine Camilleri, chefe da delegação Santa Sé, em uma entrevista ao Osservatore Romano.

Dois lados

Para a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), este acordo faz do Vaticano o 136º país a reconhecer o Estado palestino. "Esse reconhecimento inclui as fronteiras de 1967 e, portanto, Jerusalém Oriental como Palestina", assegurou uma autoridade palestina.

Para Israel, no entanto, "tal decisão não faz avançar o processo de paz e afasta a liderança palestina da mesa de negociações bilaterais", afirmou um funcionário do ministério das Relações Exteriores. "Israel vai analisar este acordo e considerará suas consequências", disse ele.

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