REJEITADOS PELA ITÁLIA

Valência preparada para receber 629 migrantes

Porto de cidade espanhola espera a chegada dos refugiados que ficaram à deriva nas águas do Mediterrâneo

00:00 · 15.06.2018
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Com apoio de ONG, Espanha receberá pessoas de 26 nacionalidades -23 africanas e três asiáticas (Afeganistão, Bangladesh e Paquistão) ( Foto: Agência France Presse )

Valência/Paris/Roma. Autoridades e equipes de emergência se preparam, em Valência, na Espanha, para receber os mais de 600 migrantes a bordo do navio "Aquarius", alguns deles doentes e esgotados, mas sua chegada está atrasada devido ao mau tempo no Mediterrâneo.

A Cruz Vermelha Espanhola anunciou que "mobilizará nas próximas horas em Valência" suas equipes de emergência, integradas por mais de 70 pessoas que "oferecerão atendimento de saúde, psicossocial e insumos básicos" aos 629 migrantes rejeitados por Itália e Malta.

As equipes da Cruz Vermelha "também farão a identificação de menores desacompanhados e de mulheres grávidas, ou com crianças de pouca idade, que precisarão de apoio especial e assessoramento", acrescentou.

O navio pode chegar no domingo a esta cidade do leste da Espanha, dados os problemas que estão tendo na travessia.

Ontem, o "Aquarius", com pouco mais de 100 refugiados, e os dois navios italianos que o acompanham transportando os outros, tiveram que mudar de rota por conta do estado do mar. O "Aquarius" navegará ao longo da costa leste de Sardenha para evitar o mau tempo e preservar os passageiros doentes e esgotados de uma situação insustentável, indicou no Twitter a ONG francesa SOS Mediterrâneo, que fretou o "Aquarius".

Segundo indicou a ONG Médicos Sem Fronteiras Espanha, nos navios vão migrantes de 26 nacionalidades: 23 africanas e três asiáticas (Afeganistão, Bangladesh e Paquistão).

Reaproximação

O presidente francês Emmanuel Macron confirmou, ontem, que terá um almoço com o presidente do Conselho italiano Giuseppe Conte, após uma conversa telefônica na qual afirmou que não quis ofender a Itália nem os italianos com seus comentários.

Na conversa, Macron, que esta semana chamou de "cínica e irresponsável" a recusa de Roma a receber o "Aquarius", "ressaltou que não fez nenhum comentário com a intenção de ofender a Itália e o povo italiano", informou a presidência francesa.

Macron e Conte "falaram sobre a situação do barco Aquarius", que segue para a Espanha.

Os dois concordaram que "França e Itália (devem) aprofundar a cooperação bilateral e europeia para realizar uma política migratória eficaz com os países de origem e de trânsito".

Para abordar os muitos assuntos de interesse comum, Conte e Macron se reunirão em Paris hoje em um almoço. A crise entre França e Itália provocada pelos migrantes do "Aquarius" se agravou na quarta, quando Roma exigiu desculpas de Paris após declarações francesas consideradas "inadmissíveis".

Macron pediu que as pessoas não cedessem à emoção e afirmou que continuava trabalhando lado a lado com a Itália.

Papa

O papa Francisco pediu, ontem, o compromisso da comunidade internacional para ajudar os migrantes e dar uma resposta digna a este desafio humanitário. "Para enfrentar e dar uma resposta ao fenômeno da migração atual, é necessária a ajuda de toda a comunidade internacional, já que tem uma dimensão transnacional, que supera as possibilidades e os meios de muitos estados", afirmou o pontífice em uma mensagem aos participantes de um painel conjunto do Vaticano e do México sobre as migrações internacionais.

O papa destacou ainda que "é preciso uma mudança de mentalidade: deixar de considerar o outro como uma ameaça a nossa comodidade para valorizá-lo como alguém que, com sua experiência de vida e seus valores, pode proporcionar muito e contribuir para a riqueza de nossa sociedade". O papa recebeu, ontem, no Vaticano, o cardeal espanhol Antonio Cañizares Llovera, arcebispo de Valência.

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