OEA discute situação

Vai a 264 número de mortos em protestos na Nicarágua

00:00 · 12.07.2018
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Estopim da onda de manifestações contra o governo de Daniel Ortega começou em abril, com os ativistas exigindo o fim da Reforma da Previdência ( FOTO: AFP )

Washington/Manágua. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) elevou a 264 o número de mortes registradas na Nicarágua no contexto dos protestos contra o governo de Daniel Ortega, iniciadas no último dia 18 de abril.

Conforme a CIDH desde o início da repressão do governo aos protestos sociais, 264 pessoas perderam a vida e mais de 1.800 ficaram feridas, indicou o secretário Executivo da CIDH, Paulo Abrao, ao informar o conselho permanente da OEA sobre a situação na Nicarágua.

O Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) se reuniu, ontem, para discutir a brutal repressão na Nicarágua, onde centenas de manifestantes foram mortos pelas forças de segurança e grupos paramilitares simpatizantes do presidente Daniel Ortega.

O Centro Nicaraguense de Direitos Humanos (Cenidh) denunciou que 24 pessoas foram assassinadas no final de semana passado em Carazo - a 60 km ao sul da capital, Manágua.

A "operação limpeza", denunciada pelo Cenidh, foi para desmantelar as barricadas, erguidas em várias partes do pais, desde o dia 18 de abril.

Reforma da Previdência

O estopim dos protestos foi uma Reforma da Previdência, que o governo acabou revogando.

Mas as manifestações continuaram, espalhando-se por todo o pais, desta vez pedindo justiça pelos mortos da repressão - entre eles, um jornalista que cobria os eventos. Ortega pediu a mediação da Igreja Católica com a oposição e setores da sociedade: agricultores, empresários, sindicalistas e estudantes.

Os bispos exigiram certas condições - entre elas, o fim a repressão e a aceitação de uma investigação da CIDH - entidade ligada a Organização dos Estados Americanos (OEA), que reúne 34 países das Américas e do Caribe.

Ortega aceitou, mas rejeitou o primeiro relatório da CIDH, que acusa o governo de usar a força para intimidar os manifestantes. Os mortos foram baleados na cabeça, pescoço e olhos.

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