De jornalista russo

Ucrânia criticada por encenar morte

00:00 · 01.06.2018 / atualizado às 02:26

Kiev. Após o alívio, as perguntas. As autoridades ucranianas eram alvos de questionamentos e ceticismo após a encenação do assassinato do jornalista russo Arkadi Babchenko, um crítico do Kremlin.

O ressurgimento na quarta-feira (30), durante uma entrevista coletiva-espetáculo, do experiente repórter de guerra, que no dia anterior havia sido considerado morto por três tiros nas costas na entrada de sua casa em Kiev, onde vive exilado, foi inicialmente recebido com alegria por seus colegas reunidos na praça central da capital ucraniana.

Mas causou a revolta imediata do governo da Rússia, que havia sido acusado pelas autoridades ucranianas, e que rapidamente denunciou uma "provocação". Organizações internacionais de proteção aos jornalistas também criticaram o método usado. Arkadi Babchenko explicou à imprensa que preparou durante semanas com o serviço especial ucraniano a encenação, com o objetivo de desbaratar uma tentativa de assassinato. E ontem o jornalista rebateu as críticas. "Desejo a todos os defensores da grande moral que se coloquem em tal situação, respeitando a moral mas morrendo com a cabeça erguida por não terem enganado a imprensa", escreveu em sua página do Facebook.

Um conselheiro do ministro do Interior, o deputado Anton Guerachenko, afirmou que a encenação era necessária "para remontar e documentar toda a cadeia, do assassino contratado até os que o contrataram", ao persuadi-los que "o contrato havia sido cumprido".

"Sherlock Holmes utilizou com sucesso o método da encenação de sua própria morte para elucidar de modo eficaz crimes complicados", completou.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.