Militares na mira

Turquia vai punir suspeitos de golpe

00:00 · 19.04.2018

Ancara. As Forças Armadas turcas destituirão nos próximos dias cerca de 3 mil militares suspeitos de ligação com o fracassado golpe de Estado de julho de 2016, anunciou, ontem, o ministro da Defesa, Nurettin Canikili.

"Desmascaramos uma estrutura de 3 mil homens dentro das Forças Armadas. Nos próximos dias serão destituídos por decreto", disse Canikili, citado pela agência estatal Anatólia.

As autoridades turcas realizaram um amplo expurgo nas instituições do Estado após a tentativa de golpe de 15 de julho de 2016 liderada por setores militares. Ancara acusa o pregador Fethullah Gülen de ter fomentado o golpe de Estado, mas ele nega qualquer envolvimento no caso.

Gülen reside nos EUA há 20 anos. Ao menos 55 mil pessoas foram detidas e mais de 140 mil perderam seus cargos com base no estado de emergência decretado em 20 de julho de 2016 e atualmente em vigor. Em um primeiro momento, os expurgos envolveram os golpistas e seus supostos cúmplices, principalmente dentro das Forças Armadas, mas depois se estenderam aos círculos pró-curdos e críticos, afetando de líderes políticos a jornalistas e professores.

Já o presidente turco Recep Tayyip Erdogan anunciou, ontem, a realização de eleições presidenciais e legislativas antecipadas em 24 de junho, ou seja, um ano e meio mais cedo do que previsto, nas quais deverá brigar por um novo mandato.

"Decidimos organizar essas eleições no domingo 24 de junho de 2018", declarou Erdogan após uma reunião "muito produtiva" com o líder do partido ultranacionalista MHP, Devlet Bahçeli, que pediu na terça-feira eleições antecipadas.

Essa decisão surpreendeu muitos observadores, enquanto os líderes turcos, incluindo Erdogan, negaram em diversas ocasiões os "boatos" de eleições antecipadas. As eleições são cruciais, porque marcará a entrada em vigor da maioria das medidas reforçando as prerrogativas do chefe de Estado, adotadas em referendo constitucional em abril de 2017.

Esta revisão constitucional permite a Erdogan, de 64 anos, brigar por dois outros mandatos presidenciais de cinco anos. O homem forte da Turquia está no poder desde 2003, primeiro como primeiro-ministro depois como presidente. Erdogan justificou esta decisão pela necessidade, segundo ele, de passar rapidamente para o sistema presidencial, a fim de enfrentar a "aceleração dos desenvolvimentos na Síria" e a necessidade de adotar decisões sobre a economia.

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