Fronteira com síria

Turquia promete nova ação militar

00:00 · 07.05.2018
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Estratégia do líder turco é alimentar o sentimento nacionalista da população com ofensiva contra os curdos ( Foto: AFP )

Istambul. O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, declarou ontem que a Turquia vai lançar "novas operações militares" no modelo das ofensivas conduzidas no norte da Síria contra jihadistas e uma milícia curda.

"Para limpar as fronteiras de grupos terroristas, a Turquia lançará novas operações no modelo da 'Escudo de Eufrates' e 'Ramo de Oliveira'", disse Erdogan ao revelar em Istambul o esboço de seu programa para as eleições antecipadas de 24 de junho.

A Turquia conduz desde janeiro uma ofensiva no noroeste da Síria chamada "Ramo de Oliveira" contra a milícia curda das Unidades de Proteção do Povo (YPG), considerada por Ancara como uma organização terrorista, mas apoiada por Washington contra o grupo jihadista Estado Islâmico (EI).

Antes desta operação, a Turquia havia realizado, de agosto de 2016 a março de 2017, uma primeira ofensiva no norte da Síria contra o EI e as YPG, batizada "Escudo de Eufrates".

Erdogan ameaçou várias vezes estender a operação "Ramo de Oliveira" para o leste, em direção à fronteira com o Iraque, correndo o risco de colidir com os EUA e a França, que implantaram forças militares na área de Minbej. O presidente turco também pediu repetidas vezes ao governo de Bagdá que atue contra as bases do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) no norte do Iraque, ameaçando intervir no país. A ofensiva turca contra as YPG na Síria prejudicou as relações entre Ancara e Washington, contribuindo em paralelo para fortalecer a cooperação entre a Turquia e a Rússia no processo sírio.

Esta operação militar também alimentou o sentimento nacionalista na Turquia, que Erdogan pretende explorar em vista das eleições legislativas e presidenciais, no início previstas para novembro de 2019, mas adiantadas para 24 de junho. "Nosso objetivo é aniquilar todas as organizações terroristas que estão nos atacando, enviá-las para a lata de lixo da história", disse.

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