CRISE POLÍTICA

Turistas tentam deixar Egito em meio a caos

01:24 · 01.02.2011
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Aeroporto ficou lotado; Turquia e Chipre se preparam para receber estrangeiros retirados do Egito

Cairo. Governos de vários países, companhias aéreas e agências de turismo trabalham em conjunto, ontem, para retirar estrangeiros que tentam deixar o Egito, em meio à crise gerada pelas violentas manifestações contra o ditador Hosni Mubarak, há 30 anos no poder.

Estados Unidos, Reino Unido, China e outros países enviaram aviões para buscar seus cidadãos no Egito.

Autoridades da Turquia e do Chipre estão se preparando para receber turistas retirados do Egito, e ajudar a fazer com que cheguem rapidamente aos seus destinos finais.

Ontem, testemunhas relataram cenas de caos no aeroporto. "O acesso ao aeroporto foi muito difícil. Em uma rota de cerca de 20 quilômetros, passamos por 19 postos de controle", afirmou um cidadão grego.

Brasileiros

Turistas brasileiros também estão com dificuldades para deixar o Egito antes da data marcada para a sua saída. Segundo informações do Ministério das Relações Exteriores, esses turistas não estão conseguindo vagas nos voos. Aqueles que estão deixando o país em data previamente marcada não têm encontrado problemas.

De acordo com o Itamaraty, há 32 brasileiros a turismo no Egito, além de 100 cidadãos do Brasil que moram no país, a maioria mulheres casadas com egípcios.

A dançarina brasileira Rossana Marcondes de Mello, afirmou que está "confinada" em um apartamento no bairro de Mokatam, no Cairo, com mais três brasileiras desde que os protestos começaram. Ela faz um curso de especialização em dança no país.

"Estão acontecendo tiroteios, as pessoas saem dos carros correndo, tem barricadas e as pessoas estão armadas com pedaços de cano em frente ao prédio", relatou.

Para comprar comida, ela e suas amigas saíram de véu islâmico, mas conseguiram comprar poucas coisas no supermercado, saqueado e com marcas de sangue no chão.

Rossana contou que, ao ligar na Embaixada do Brasil no Cairo, foi aconselhada a permanecer em casa, "porque os aeroportos estão cheios de gente".

Diálogo

Em pronunciamento à nação, o vice-presidente do Egito, Omar Suleiman, afirmou que o novo governo está disposto a iniciar um diálogo "imediato" com todos os partidos políticos, e que entre as mudanças que devem ser propostas estão reformas constitucionais e legislativas, demandadas pela oposição.

Uma das principais críticas dos manifestantes, que diz respeito às restrições das leis egípcias que limitam quem pode se candidatar à Presidência do país, será contemplada pelas reformas, disse Suleiman. O Egito deve ter eleições presidenciais em setembro.

"DEMANDAS LEGÍTIMAS"
Exército não usará força contra protesto

O Exército egípcio anunciou, ontem, que não usará a força contra as dezenas de milhares de pessoas que se mobilizam no país para pedir a saída do presidente Hosni Mubarak e declarou no mesmo documento que considera as demandas do povo "legítimas".

"A liberdade de expressão de forma pacífica está garantida para todos", afirmou o porta-voz do Exército em um comunicado. Desde o início da crise este foi o sinal mais forte dado pelos militares indicando que devem apoiar os protestos.

De maneira geral, as Forças Armadas do Egito estão sendo passivas ao deixar que manifestantes colem cartazes nos tanques, e, em muitos momentos, as tropas sinalizam que apoiam os protestos. No entanto, o papel dos militares na crise política egípcia vem sendo alvo de debates. Desde o início os soldados têm cumprido ordens de conter os protestos, primeiramente com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha, embora em certos momentos tenham usado munição real.

No sábado, o presidente Hosni Mubarak nomeou duas figuras ligadas às Forças Armadas para ocupar os dois cargos mais importantes do governo abaixo do seu e formar um novo gabinete. Omar Suleiman, ex-diretor dos serviços de inteligência, passou a ser o primeiro vice-presidente do Egito dos últimos 30 anos, e Ahmed Shafiq, ex-general e ministro da Aviação, ocupa o cargo de primeiro-ministro.

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