Após 'avalanche' de críticas

Trump recua e diz que Rússia atuou na eleição

Presidente dos EUA admite que errou em entrevista com Putin e exalta a confiança nas agências de inteligência

Presidente dos EUA admite que errou em entrevista com Putin e exalta a confiança nas agências de inteligência ( AFP )
00:00 · 18.07.2018 / atualizado às 08:55

Washington. Em um pronunciamento com tons de contenção de danos, o presidente americano, Donald Trump, afirmou, ontem, que tem "completa confiança" nas agências de inteligência do país e afirmou que a Rússia interferiu nas eleições dos EUA em 2016. "Vou ser totalmente claro: eu aceito a conclusão da nossa inteligência de que houve intromissão russa nas eleições de 2016", declarou. Mas, em seguida, acrescentou: "Podem ter sido outras pessoas também. Há muita gente lá fora".

 

De forma incomum, o republicano, conhecido pelos rompantes retóricos, leu frases inteiras em um papel à sua frente, durante seu primeiro compromisso após a criticada entrevista ao lado de Vladimir Putin, na segunda (16). Na ocasião, em uma inesperada troca de gentilezas com o líder russo, ele colocou em dúvida as conclusões do FBI sobre a interferência russa nas eleições do país -e foi criticado até por aliados. Ele disse que a negativa de Putin sobre o possível envolvimento de Moscou havia sido extremamente poderosa.

Desta vez, o presidente recuou, ainda que com ressalvas, e fez questão de elogiar o "tremendo talento" dos agentes da inteligência americana, em quem disse ter "fé total". Trump disse que se impressionou com a repercussão de suas declarações ao lado de Putin e afirmou que era preciso esclarecer a situação.

De acordo com o mandatário, em uma de suas principais frases, ele errou a explicação: disse que não via motivos para acreditar que a Rússia "seria" a responsável pela intromissão eleitoral, em vez de "não seria".

Luz apagada

O incômodo do republicano, porém, era visível. No meio das declarações de ontem, quando falava que tinha fé nas agências de inteligência, a luz da sala se apagou. "Devem ter sido os agentes da inteligência", brincou.

Trump declarou que seu governo continuará combatendo interferências externas no processo eleitoral, mas ressaltou que "as ações da Rússia não tiveram qualquer impacto no resultado das eleições" -vencidas por ele. Ainda assim, o presidente defendeu sua reunião com Putin, dizendo que é bom que os EUA mantenham boas relações com a Rússia, e afirmou que está em busca da paz. "Eu entrei na reunião com a firme convicção de que diplomacia e engajamento são melhores do que hostilidade e confronto", disse o republicano. "Há diversas discordâncias entre nossos países, mas eu também entendo que o diálogo é muito importante".

A interferência da Rússia nas eleições de 2016 é investigada pelo FBI, que virou alvo das críticas de Trump, cuja campanha é suspeita de ter se beneficiado da ação russa no processo eleitoral.

O republicano rechaça as suspeitas e vive às turras com o órgão, a quem acusa de promover uma "caça às bruxas".

Já o ex-presidente americano Barack Obama lançou ataques velados ao sucessor, criticando os políticos que "não param de mentir", em um discurso por ocasião do centenário de Mandela.

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