Distensão de crise

Trump propõe a Putin reunião na Casa Branca

Washington e Moscou tentam se reaproximar, após crise diplomática devido a suposto crime de envenenamento

00:00 · 03.04.2018
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Relação entre líderes se desgastou com denúncia de interferência russa na eleição presidencial e agora com o apoio dos EUA a Londres no caso Skripal ( Foto: AFP )

Moscou/Washington. O presidente norte- americano Donald Trump propôs a Vladimir Putin um encontro na Casa Branca durante a conversa que tiveram por telefone em 20 de março, que foi seguida de novas tensões entre Moscou e os ocidentais, afirmou ontem o conselheiro do Kremlin, Yuri Uchakov.

O americano telefonou em 20 de março a Putin para felicitá-lo por sua reeleição a um quarto mandato à frente do governo russo e a ideia de um encontro foi discutida. "Durante a conversa telefônica, Trump propôs um encontro", declarou Uchakov à imprensa. "Propôs organizar este encontro em Washington, na Casa Branca", precisou.

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No entanto, "logo depois, nossas relações bilaterais se deterioraram mais uma vez" com as expulsões recíprocas de diplomatas num caso relacionado ao envenenamento do ex-espião russo Serguei Skripal na Inglaterra.

Segundo ele, desde 20 de março não houve "discussão concreta sobre detalhes do encontro". "Gostaríamos de acreditar que as medidas tomadas pelos americanos com base nas acusações gratuitas serão levantadas e que seremos capazes de iniciar um diálogo construtivo e sério".

Desde o último dia 20,Trump validou a expulsão de 60 "espiões" russos, a maior expulsão de diplomatas russos credenciados nos EUA, em resposta ao envenenamento com agente neurotóxico de Serguei Skripal e de sua filha Yulia. A Rússia, que nega qualquer responsabilidade pelo envenenamento e denuncia uma "provocação" e "campanha anti-russa", respondeu com uma expulsão semelhante.

Cortina de fumaça

Já o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, sugeriu que o envenenamento do ex-espião poderia beneficiar o governo britânico, como uma distração dos problemas a respeito do Brexit (saída britânica da União Europeia).

"Isto pode ser do interesse do governo britânico, que estava em uma situação incômoda, dada sua incapacidade de cumprir as promessas para seu eleitorado sobre as condições do Brexit", apontou Lavrov. "Também poderia interessar os serviços especiais britânicos, que são conhecidos por sua capacidade de atuar com permissão para matar".

Segundo o chefe da diplomacia russa, seu país não tinha qualquer interesse em envenenar um ex-espião na véspera da eleição presidencial e a poucos meses da Copa do Mundo, que será organizada em seu território.

No total, o Reino Unido e seus aliados, incluindo a União Europeia e a Otan (aliança militar), anunciaram mais de 150 expulsões de diplomatas russos de seus territórios. A Rússia respondeu com medidas idênticas contra um número igual de diplomatas desses Estados e convocou os embaixadores de 23 países.

"Quando não temos provas, nos vingamos dos diplomatas", criticou Lavrov, acusando Reino Unido, EUA e aliados de "perda da decência" por recorrerem "a mentiras e à desinformação".

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