Laços entre potências

Trump gera indignação após cúpula com Putin

Adversários históricos, EUA e Rússia prometem a retomada das relações bilaterais; aproximação entre líderes provoca ira

00:00 · 17.07.2018 / atualizado às 08:42
Trump e Putin
Presidente Vladimir Putin ofereceu a Donald Trump uma bola de futebol similar às que foram usadas nas partidas da Copa do Mundo, ao final do encontro histórico realizado, ontem, na capital da Finlândia, Helsinque ( FOTO: AGÊNCIA FRANCE PRESSE )

Helsinque/Washington. O presidente dos EUA, Donald Trump, se tornou, ontem, o centro de uma avalanche de críticas de aliados e opositores em seu país, após a entrevista coletiva sobre seu encontro com o chefe de Estado russo, Vladimir Putin.

Em Helsinque, Trump e Putin prometeram retomar as complexas relações entre as duas maiores potências nucleares do mundo em uma reunião de cúpula em que o americano se recusou a condenar a suposta interferência russa nas eleições de seu país.

Os dois líderes deixaram a reunião expressando o desejo de cooperar em vários desafios globais, depois de discussões sobre uma série de temas, incluindo Síria, Ucrânia, China, imposição de tarifas e arsenais nucleares.

 

Repercussão

"Perigoso e fraco", "vergonhoso", "à beira da traição" foram alguns dos comentários sobre o desempenho de Trump na entrevista coletiva, em Helsinque.

O presidente da Câmara dos Representantes do Congresso, o republicano Paul Ryan, afirmou que Trump "deveria considerar que a Rússia não é nosso aliado".

"Não há uma equivalência moral entre EUA e Rússia, que continua sendo hostil a nossos valores básicos e ideais".

Por sua vez, o titular do partido Democrata no Senado, Chuck Schumer, apontou que Trump exibiu um comportamento "perigoso e fraco" ante um adversário como a Rússia. "Em toda a história de nosso país, os americanos nunca viram seu presidente apoiar um adversário dos EUA como Donald Trump apoiou o presidente Putin".

Os legisladores não esconderam sua irritação pelo gesto de Trump de aceitar a palavra de Putin negando qualquer ingerência da Rússia nas eleições presidenciais de 2016, como afirmam os serviços americanos de inteligência. Para o senador republicano John McCain, "nenhum presidente anteriormente se humilhou de forma mais abjeta diante de um tirano".

Espionagem

Uma russa de 29 anos foi presa por conspiração por influenciar a política americana criando laços com grupos políticos, como o lobby das armas NRA.

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