EX-DIRETOR DA CIA

'Trump e Rússia trabalharam juntos'

Ex-funcionário de alto escalão disparou críticas contra o republicano, também questionado por mais de 300 jornais

00:00 · 17.08.2018
John Brennan
John Brennan, que até janeiro de 2017 cuidava dos segredos da Casa Branca na agência de inteligência dos EUA, disse que Trump persegue críticos ( FOTO: AFP )

Washington/Nova York. O ex-diretor da CIA John Brennan afirmou que o presidente americano, Donald Trump, retirou a sua autorização de acesso à informação sigilosa para assustar os críticos e bloquear uma investigação sobre os seus vínculos com a Rússia.

Em uma coluna publicada, ontem, no jornal "New York Times", Brennan disse que a decisão, anunciada na véspera pela Casa Branca, era de tom político.

"Claramente, o senhor Trump está desesperado para se proteger e os outros próximos a ele", declarou Brennan, vendo a ação como "uma tentativa de silenciar, pelo medo, outros que se atrevam a desafiá-lo".

O ex-funcionário de alto escalão, que até janeiro de 2017 era o guardião dos segredos americanos, varreu as garantias asseguradas por Trump de que sua equipe de campanha não trabalhou com a Rússia para vencer as presidenciais de 2016.

"O senhor Trump afirmar que não houve conluio é, por assim dizer, uma besteira", declarou.

As palavras de Brennan são de uma ira sem precedentes, apesar de muitos funcionários terem criticado Trump desde que o republicano chegou ao poder.

Também ontem, por exemplo, a ex-assessora da Casa Branca Omarosa Manigault Newman divulgou uma nova gravação em sua investida contra Trump: desta vez, uma mulher, identificada como nora do mandatário, parece tentar comprar seu silêncio.

Manigault Newman difundiu a gravação de uma conversa que teria tido com Lara Trump, mulher do filho do presidente, Eric.

Mídia

"Os jornalistas não são o inimigo": revoltados com Trump, muitos jornais americanos responderam, ontem, publicando coordenadamente editoriais para insistir na importância da liberdade de imprensa no país.

Mais de 300 jornais em todo o país se juntaram à campanha. O artigo usou o título "Os jornalistas não são o inimigo".

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