Laços entre EUA e Rússia

Trump e Putin expõem desejo por nova reunião

Mesmo após o desgaste provocado pela cúpula de Helsinque, os dois líderes fazem planos de estreitar as relações

00:00 · 28.07.2018
trump e putin
Encontro entre os presidentes norte-americano e russo, na Finlândia, provocou avalanche de críticas nos Estados Unidos e um vaivém de declarações ( FOTO: AFP )

Washington/Moscou. Os presidentes norte-americano, Donald Trump, e russo, Vladimir Putin, voltaram a trocar cortesias na sexta-feira (27), com o primeiro expressando seu desejo de ir a Washington e convidando o segundo para ir a Moscou, o que foi aceito prontamente.

"Estamos dispostos a convidar o presidente Trump a Moscou, ele recebeu este convite. Estou disposto a ir a Washington", declarou Putin, respondendo o convite do presidente dos Estados Unidos, durante a entrevista coletiva de imprensa em Joanesburgo à margem da cúpula dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

"Mas repito uma vez mais, (só) se as condições apropriadas para trabalhar se implementarem lá", advertiu.

A Casa Branca não demorou em anunciar que o presidente americano estava aberto à ideia de viajar a Moscou.

"O presidente Trump espera com impaciência receber o presidente Putin em Washington depois do primeiro dia do ano e está disposto a visitar Moscou se receber um convite formal", declarou o Executivo americano em um comunicado.

A primeira cúpula entre os dois chefes de Estado foi celebrada em 16 de julho em Helsinque.

Causou grande escândalo nos Estados Unidos, onde as declarações de Trump foram consideradas muito conciliadoras com relação a seu contraparte russo. Putin, por sua vez, considerou que as conversações foram "muito bem-sucedidas", assim como Donald Trump.

As reuniões com Trump são "úteis", insistiu Putin na sexta-feira. "Os contatos no mais alto nível político são necessários", destacou, assegurando que os dois dirigentes "não podem falar sobre tudo pelo telefone".

O líder do Kremlin citou, entre outros temas de conversa, o tratado de redução do arsenal nuclear entre a Rússia e os Estados Unidos, o New START, que a princípio vai expirar em 2021.

"Vamos estendê-lo ou não? Se não começamos hoje as negociações, em 2021 esse tratado vai deixar de existir", afirmou o presidente da Rússia.

A próxima cúpula Trump-Putin, que em um primeiro momento estava prevista para o próximo outono em Washington, finalmente será celebrada "no ano que vem", anunciou na quarta-feira (25) a Casa Branca.

Antes do encontro deve ser resolvida a investigação sobre a suposta ingerência russa nas eleições presidenciais de 2016 nos Estados Unidos e as suspeitas de conluio entre a equipe do então candidato Trump e o Kremlin de Vladimir Putin, que a Casa Branca tachou de "caça às bruxas".

Elogio

Putin, no entanto, fez alusão na sexta a "possíveis contatos durante fóruns internacionais".

Os dois presidentes vão participar de cúpulas em novembro, no Pacífico (APEC) e na Argentina por ocasião do G20.

Além disso, Putin elogiou seu contraparte norte-americano e declarou que "a grande qualidade do presidente Trump é que tenta cumprir com suas promessas aos eleitores americanos".

Em 16 de julho, em Helsinque, Putin e Trump mostraram uma unidade incomum em coletiva de imprensa conjunta, especialmente sobre as acusações de ingerência russa nas presidenciais norte-americanas, o que Moscou refuta.

"Pouco importam as dificuldades, que neste caso são dificuldades da vida política interna dos Estados Unidos, a vida continua e nossos contatos continuam", declarou Putin na sexta.

Ucrânia

Segundo o embaixador da Rússia em Washington, Anatoli Antonov, ambos os líderes trataram do leste da Ucrânia, e Putin apresentou "propostas concretas". Entre elas, segundo a agência de notícias Bloomberg, estaria a organização de um referendo nas regiões separatistas do leste para pôr fim ao conflito.

Este se referiria ao status das repúblicas autoproclamadas de Donetsk e Lugansk, que escapam do controle de Kiev.

Ao ser consultado sobre esta ideia, que Washington rejeitou, Putin evitou fazer comentários na sexta-feira.

"É um tema muito sensível, que deve ser mais estudado e trabalhado", destacou.

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