Negociação de paz

Trump: diretor da CIA teve reunião secreta com Kim

Escolhido como o futuro Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo visitou o líder da Coreia no Norte em Pyongyang

Mike Pompeo (d), que hoje dirige a Agência Central de Inteligência (CIA) de Washington, foi encarregado de tratar pessoalmente com o presidente norte-coreano, Kim Jong-un, planos de desnuclearização da península coreana ( FotoS: AFP )
00:00 · 19.04.2018 / atualizado às 08:51

Washington. O presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou, ontem, uma reunião secreta em Pyongyang entre o diretor da CIA e o líder norte-coreano Kim Jong-un, enquanto Seul anunciou que estuda caminhos para um possível tratado de paz com o Norte. A proposta sul-coreana de abrir negociações para declarar oficialmente o fim da Guerra da Coreia (1950-53) é a mais recente de uma série de iniciativas que seriam impensáveis há alguns meses.

Também suscitam a esperança de que as próximas cúpulas entre as duas Coreias, depois entre o Norte e os Estados Unidos, conduzam a avanços concretos.

Outro acontecimento surpreendente foi a visita do diretor da CIA - e futuro Secretário de Estado americano- Mike Pompeo a Pyongyang, capital norte-coreana, para uma reunião com Kim. "A desnuclearização será uma grande coisa para o mundo, mas também para a Coreia do Norte", comentou Trump.

 

Casa Azul

A terceira cúpula intercoreana desde o fim da guerra, marcada para o próximo dia 27 de abril, poderia ser uma oportunidade para abordar a questão de uma declaração oficial para encerrar o conflito na península.

"Estamos examinando a possibilidade de substituir o regime de armistício na península coreana por um regime de paz", declarou à imprensa um importante funcionário da Casa Azul, a presidência sul-coreana.

"Mas não é algo que possamos fazer sozinhos. Precisamos de discussões próximas com as partes relevantes, incluindo a Coreia do Norte".

Soberania

A guerra terminou com um simples armistício, de modo que ambos os lados ainda estão tecnicamente em conflito. A zona desmilitarizada que divide a península é repleta de minas e fortificações. Pyongyang e Seul reivindicam a soberania sobre toda a península. Um tratado pode significar que as duas Coreias se reconhecem. O Norte provavelmente exigiria a retirada das tropas americanas posicionadas na península. O conselheiro de Segurança Nacional da Coreia do Sul, Chung Eui-yong, declarou ontem que Seul e Washington querem que Pyongyang desista de suas ambições atômicas.

Hora de conversar

Os principais momentos do encontro intercoreano, incluindo o primeiro aperto de mão entre Kim e Moon serão transmitidos ao vivo pela televisão, indicou Seul após uma reunião de trabalho entre as duas partes ontem.

Esta reunião será seguida por um histórico tête-à-tête entre Kim e Trump. O presidente dos EUA falou com certo otimismo sobre os preparativos atuais.

"Eles nos respeitam. Nós os respeitamos. É hora de conversar, resolver problemas". "Há uma chance real de resolver um problema global".

Oposição no Senado

Apontado por Trump, como seu próximo secretário de Estado, o diretor da CIA enfrenta uma forte oposição no Senado, que precisa aprovar sua nomeação.

A Comissão de Relações Exteriores do Senado parece estar a ponto de rejeitar a designação de Pompeo, apesar do papel que tem desempenhado o atual diretor da CIA na aproximação com a Coreia do Norte.

O líder da oposição democrata na Comissão de Relações Exteriores, Bob Menendez, comunicou que rejeitará a nomeação afirmando que Pompeo carece de "estratégia" para enfrentar os grandes desafios mundiais.

O senador republicano Tom Cotton reagiu afirmando que "não importa o que aconteça na comissão, Pompeo será confirmado pelo Senado na próxima semana". Ele deverá aguardar então que o plenário do Senado aprove sua nomeação, algo incomum sem o aval da Comissão de Relações Exteriores. Tom Cotton advertiu que será "um péssimo sinal" para outros países, especialmente para a Coreia do Norte, se o Senado não aprovar a nomeação do diretor da CIA.

Pompeo é considerado um falcão em política internacional. O próprio Trump saiu em defesa de Pompeo, de 57 anos, indicado para substituir o discreto Rex Tillerson. É "extraordinário", "um verdadeiro cavaleiro", que também será "um grande secretário de Estado", disse Trump.

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