Alta dos custos

Trump critica cartel por inflar preço do petróleo

Donald Trump ( Foto: AFP )
00:00 · 21.04.2018

Washington. O presidente de EUA, Donald Trump, criticou na sexta-feira a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), ao considerar que os preços do petróleo estão artificialmente altos e "não serão aceitos", em uma referência ao impacto negativo de uma alta dos custos de energia para a economia mundial. Trump fez os comentários no Twitter, quando ministros dos maiores produtores mundiais da commodity se reuniram na Arábia Saudita para discutir a manutenção dos limites de produção.

"Para que a Opep está tratando disso de novo", tuitou Trump. "Com quantidades recordes de petróleo em todas as partes, inclusive os barcos com carga máxima em alto mar, os preços do petróleo estão artificialmente muito altos! Não está certo e não serão aceitos!".

Os produtores da Opep e os países que não pertencem ao cartel chegaram a um acordo em 2016 para cortar a produção em 1,8 milhão de barris diários, para reduzir o excedente mundial da commodity. O acordo, que deve terminar no fim do ano, conseguiu ampliar os preços petróleo, hoje acima dos 70 dólares o barril. No começo de 2016, ele custava menos de 30 dólares.

O preço do petróleo subiu na sexta-feira, influenciado pelas declarações da Opep e pelos comentários de Trump.

O barril Brent do Mar do Norte para entrega em junho fechou a 74,06 dólares no Intercontinental Exchange de Londres (ICE), com alta de 28 centavos, um novo nível máximo desde o fim 2014. No New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril de "light sweet crude" (WTI) para entrega em maio subiu 9 centavos, a 68,38 dólares.

Na Arábia Saudita, os membros da Opep e seus dez sócios, inclusive Rússia, assentaram as bases para extensão além de 2018 do acordo de redução da produção de petróleo com o objetivo de aumentar os preços.

Os grandes produtores de petróleo poderão decidir em junho se devem começar a reduzir suas cotas de produção no segundo semestre deste ano ou em 2019, afirmou o ministro de Energia da Rússia, Alexander Novak.

100 dólares

Por um acordo iniciado em janeiro de 2017, a Opep e dez nações que não pertencem ao grupo, incluindo a Rússia, têm buscado reduzir sua produção combinada em cerca de 1,8 milhão de barris por dia. Em princípio, os cortes serão mantidos até o fim do ano. Segundo Novak, os mercados de petróleo vêm se reequilibrando desde que o acordo teve início, e a Opep e seus aliados vão avaliar até junho se o atual processo de corte na produção é "sustentável".

Por sua vez, o presidente da Opep, Suhail al-Mazroui, que também é ministro do petróleo dos Emirados Árabes Unidos, disse que o acordo precisa ser mantido até o fim do ano, como está previsto, mas ressaltou que a Opep não tem uma meta de preço para o petróleo.

Nos últimos dias, surgiram relatos de que as autoridades sauditas esperavam ver o petróleo subir para 80 dólares ou "até mesmo" 100 dólares por barril nos próximos meses.

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