Mal-estar antes de cúpula

Trump chama Rússia, China e UE de 'inimigas'

Antes de iniciar turnê europeia, o presidente dos EUA havia dito que etapa com Putin seria a 'mais fácil'

Donald Trump e a esposa dele, Melania Trump, foram recebidos em Helsinque, capital da Finlândia, pelos embaixadores norte-americanos no país ( Foto: AFP )
00:00 · 16.07.2018

Helsinque/Washington. O presidente Donald Trump classificou a Rússia, ontem, como um dos "inimigos" dos Estados Unidos, na véspera de uma cúpula histórica com seu colega russo, Vladimir Putin, em Helsinque, já ofuscada pela investigação sobre a ingerência russa na eleição presidencial norte-americana de 2016.

Antes de iniciar sua turnê europeia, o presidente Trump havia dito que a etapa de Helsinque, onde se reunirá com Putin, seria a "mais fácil". Suas últimas declarações podem atenuar, porém, as esperanças de distensão entre Washington e Moscou.

Em uma entrevista concedida no sábado (14) à rede CBS, transmitida ontem, Trump considerou que Rússia, União Europeia (UE) e China eram, por diferentes razões, "inimigos".

"Acredito que temos muitos inimigos. Acredito que a União Europeia seja um inimigo, pelo que nos fazem no comércio", disse Trump à CBS.

"A Rússia é um inimigo em certos aspectos. A China é um inimigo economicamente, certamente são um inimigo. Mas isso não significa que sejam ruins. Não significa nada. Significa que são competitivos", disse.

Enquanto deixava a Escócia ontem para seguir para a Finlândia, Donald Trump tuitou: "Espero me reunir com o presidente amanhã (hoje)".

E acrescentou: "infelizmente, sejam quais forem os resultados que obterei na cúpula (...) vão me criticar na volta, dizendo que não foi suficiente".

Pontos de fricção

Trump e Putin, cujos gestos serão observados atentamente pelo mundo todo, vão-se reunir na capital finlandesa, após um fim de semana "esportivo".

O presidente norte-americano relaxou com golfe, sua principal atividade física segundo ele próprio, em seu luxuoso complexo hoteleiro escocês de Turnberry. Já seu colega russo assistiu, ontem, à final da Copa do Mundo de Futebol em Moscou, vencida pela França por 4-2 sobre a Croácia. No evento, aproveitou para se reunir com os chefes de Estado de ambos os países: Emmanuel Macron e Kolinda Grabar-Kitarovic.

Trump se reunirá agora com o presidente de um país, com o qual os Estados Unidos mantêm vários pontos de atrito.

Os dois devem, primeiramente, reunir-se sozinhos com seus intérpretes no palácio presidencial, somando-se, então, às suas respectivas delegações para um almoço de trabalho.

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