Negociação de acordo

Trump assegura reunião com Coreia do Norte

Washington tenta agora aplacar incertezas sobre cúpula com Pyongyang marcada para o próximo dia 12 em Cingapura

Presidente dos EUA, Donald Trump, buscou, ontem, acalmar ânimos nas negociações com o ditador norte-coreano, Kim Jong-un, que se irritou com declarações do conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton, "falcão" da era Bush ( Foto: AFP )
00:00 · 18.05.2018

Washington/Pyongyang. O presidente dos EUA, Donald Trump, assegurou, ontem, que os preparativos para sua reunião com Kim Jong-un estão em andamento, e adiantou que um acordo permitiria que o líder norte-coreano se mantivesse no poder.

Após vários dias de intensos boatos sobre uma eventual suspensão do encontro, previsto para 12 de junho em Cingapura, Trump disse que representantes dos dois países continuam negociando sem nenhuma mudança.

Os norte-coreanos, acrescentou Trump, "negociam como se nada tivesse acontecido", ao ponto de as discussões se centrarem em detalhes como hotéis e quartos reservados para reuniões.

O presidente, inclusive, tentou retirar de cena um elemento que complicava o processo, ao baixar o tom das declarações feitas por seu conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton.

Em uma entrevista, Bolton havia feito referência à aplicação do "modelo líbio" para conseguir a desnuclearização da Coreia do Norte, frase que gerou uma enorme irritação em Pyongyang. "O modelo líbio não é o que temos em mente", declarou Trump, ontem, no Salão Oval, ao líder da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jens Stoltenberg.

"Dizimamos esse país por completo", admitiu o presidente, em alusão às operações conduzidas essencialmente pela Otan na Líbia e que levaram à derrubada do governo de Muammar Kadhafi, que, posteriormente, foi assassinado.

"Fomos e destruímos por completo. E fizemos o mesmo com o Iraque. Não discutirei se tínhamos que ter feito, mas eu fui contra isso desde o início", assinalou. Segundo Trump, o cenário citado por Bolton se refere ao caso "de não chegarmos a um acordo" com a Coreia do Norte.

A ideia de um "modelo líbio" mencionada por Bolton faz alusão a um contexto em que "tenhamos problemas. Porque não podemos permitir que esse país tenha armas nucleares".

Segundo Trump, a ideia de um acordo com Kim sobre a desnuclearização inclui a possibilidade de que o líder norte-coreano se mantenha no poder. "Nunca dissemos a Kadhafi: 'não se preocupe que te daremos proteção, vamos fortalecer o seu Exército'", expressou Trump, que indicou que se chegar a um acordo com Kim, ele "poderá continuar comandando seu país". "Se alcançarmos um acordo, Kim poderá ser muito feliz".

'Max Thunder'

Ontem, o Pentágono anunciou que não tem planos de antecipar o fim dos exercícios militares conjuntos realizados com forças da Coreia do Sul, o que também despertou a fúria de Pyongyang.

Os exercícios "Max Thunder", que durarão duas semanas, começaram em 11 de maio e envolvem 100 aeronaves de ambos os aliados, incluindo caças F-22.

John Bolton

O assessor linha dura que irrita a Coreia do Norte

John Bolton, famoso pelo farto bigode, foi nomeado Assessor de Segurança Nacional há dois meses. Quando integrou o governo de George W. Bush, a Coreia do Norte o definiu como "escória humana e sanguessuga".

Ex-embaixador dos EUA na ONU, onde ficou famoso pela falta de tato para a diplomacia, Bolton já considerou "legítimo" lançar uma ataque militar contra o arsenal nuclear de Kim.

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