NA PENÍNSULA COREANA

Testes militares podem ser retomados, diz EUA

Distensão entre Coreias enfrenta impasse sobre desnuclearização e traz ameaça de retrocesso nos esforços pela paz

00:00 · 29.08.2018
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Exercícios militares conjuntos entre EUA e Coreia do Sul são vistos como uma provocação pelos norte-coreanos, pois ocorrem próximos a sua fronteira ( FOTO: AFP )

Washington/Pyongyang O secretário de Defesa dos EUA, Jim Mattis, anunciou ontem o fim da suspensão dos exercícios militares aliados na península coreana, uma decisão que foi tomada como "gesto de boa vontade" depois do encontro entre Donald Trump e Kim Jong-un.

"Demos o passo de suspender vários dos exercícios militares como uma medida de boa vontade", afirmou Mattis. "Não temos planos de suspender mais nenhum", acrescentou.

"Vamos ver como as negociações vão e, então, calcularemos o futuro, como avançamos", completou Mattis.

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Os EUA suspenderam alguns exercícios militares que fazia com a Coreia do Sul em junho, depois da cúpula de Singapura, incluindo os "Ulchi Freedom Guardian" previstos para agosto. Dele participariam cerca de 17.500 militares americanos. Em junho, Trump definiu esses exercícios como "jogos de guerra" e "provocadores", um termo usado pela Coreia do Norte. Mattis tergiversou ao ser consultado sobre se a retomada desses exercícios poderia ser considerada uma provocação.

"Até respondendo a uma pergunta dessa maneira poderia influenciar nas negociações. Deixemos as negociações, deixemos os diplomatas avançarem. Todos sabemos a gravidade do assunto de que estamos tratando", afirmou Mattis.

Visita cancelada

Mais cedo, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, cancelou uma viagem à Coreia do Norte no fim de semana passado, após receber uma carta de Pyongyang considerada "beligerante" pela Casa Branca. Pompeo não tem apresentado êxitos em definir com os norte-coreanos compromissos mais concretos de desnuclearização.

Já o ministro japonês da Defesa, Itsunori Onodera, disse, em seu relatório anual, que a Coreia do Norte continua representando "uma ameaça grave e iminente", apesar dos progressos diplomáticos dos últimos meses. Em resposta, o governo japonês reforça suas capacidades de defesa. No fim de julho, anunciou um investimento de US$ 4,2 bilhões nos próximos 30 anos.

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