Cardeal

Tesoureiro do Vaticano será julgado por delitos sexuais

Cardeal australiano George Pell, com papel de destaque no Vaticano, tornou-se a autoridade mais graduada da Igreja a ser julgada por acusação sexual ( FOTO: AFP )
00:00 · 02.05.2018

Melbourne. O cardeal australiano George Pell, terceiro na hierarquia do Vaticano, será julgado por delitos sexuais, decidiu um tribunal de Melbourne, ontem. O prelado, de 76 anos, um dos conselheiros mais próximos do papa Francisco, é o mais alto representante da Igreja católica julgado por agressões sexuais. Tesoureiro do Vaticano, ele se declara inocente. Em um comunicado, o Vaticano se limitou a dizer que estava ciente "da decisão anunciada pelas autoridades judiciais da Austrália".

O tribunal evocou "vários denunciantes", sem especificar a natureza precisa dos fatos. Pell, que compareceu à audiência, permaneceu impassível quando o tribunal comunicou sua decisão de julgá-lo por "múltiplas" acusações, após rejeitar mais da metade das acusações, entre elas algumas das mais graves.

O clérigo se declarou inocente, reafirmando sua postura desde o início do escândalo.

A juíza Belinda Wallington se disse "satisfeita" com a existência de provas suficientes para que o cardeal, um dos conselheiros mais próximos do Papa Francisco, seja julgado por "várias" acusações de agressão sexual.

O cardeal pediu licença do cargo de chefe de Finanças do Vaticano para se defender das acusações, de crimes que teriam ocorrido há muitos anos.

Pell, que havia chegado ao tribunal sob um forte esquema de segurança, deixou o local em liberdade após pagamento de fiança. Ele está proibido de deixar a Austrália e já entregou seu passaporte às autoridades. O tribunal de Melbourne escutou durante quatro semanas os depoimentos de supostas vítimas de Pell.

Defesa

Robert Richter, advogado do cardeal, afirmou que o caso sequer deveria ser julgado devido à falta de credibilidade das vítimas. As acusações "são fruto de problemas mentais, fantasias ou pura invenção, com o objetivo de castigar o representante da Igreja católica neste país por não ter impedido as agressões de pedofilia cometidas por outros", declarou Richter.

O escândalo provocou uma grande comoção na Austrália, mas não foi revelada a natureza exata dos fatos que envolveram o cardeal, alvo de "múltiplos denunciantes".

O anúncio do julgamento de Pell coincide com o final de uma longa investigação nacional sobre a resposta institucional na Austrália a abusos sexuais cometidos contra crianças, iniciada pelo governo em 2012, após uma década de protestos por parte das vítimas.

Pell, que depôs três vezes durante as investigações, admitiu que "falhou" em sua gestão envolvendo padres pedófilos no estado de Victoria nos anos 1970.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.