Mais popular pós-Einstein

Stephen Hawking deixa legado que supera descobertas científicas

Pesquisador britânico teve uma vida dedicada a investigar segredos do Universo, notadamente dos buracos-negros

Data da morte do cosmólogo Stephen Hawking coincidiu com o dia de nascimento de Albert Einstein, que revolucionou o entendimento sobre o tempo ( Foto: AFP )
00:00 · 15.03.2018

Cambridge. O astrofísico britânico Stephen Hawking desafiou as expectativas de uma morte prematura para se converter no cientista mais popular do mundo. Sua vida, prevista para durar só mais três anos após o diagnóstico de Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), só terminou ontem, aos 76 anos, na cidade de Cambridge, na Inglaterra, prolongada mais de 18 vezes em relação ao estipulado pelas autoridades médicas que fizeram o prognóstico inicial. A morte de Hawking coincidiu com a data de nascimento de Albert Einstein, físico considerado o maior cientista do século XX e que elaborou a Teoria da Relatividade.

A saúde de Hawking havia deteriorado nos últimos meses e que ele morreu enquanto dormia em sua casa, em Cambridge.

O físico britânico, cujo livro "Uma Breve História do Tempo" (1988) se tornou um best-seller e o levou ao estrelato, dedicou a vida a desvendar os mistérios do universo e, apesar de nunca ter ganhado um Prêmio Nobel, era mais famoso do que qualquer pessoa premiada com ele.

Filho de professores, nascido em 8 de janeiro de 1942, 300 anos depois da morte do pai da ciência moderna, Galileu Galilei, Stephen William Hawking se tornou um dos cientistas mais conhecidos do mundo e entrou para o panteão dos titãs da ciência, dono de uma "mente brilhante e extraordinária", nas palavras da premiê Theresa May.

"Estamos profundamente tristes porque nosso querido pai faleceu", declararam os filhos dele, Lucy, Robert e Tim, em nota.

Diagnosticado aos 21 anos com ELA (esclerose lateral amiotrófica, doença que ataca os neurônios responsáveis por controlar os movimentos voluntários e que o deixou em uma cadeira de rodas), o cientista conseguia comunicar-se apenas com a ajuda de um computador que interpretava seus gestos faciais. "Sua valentia e persistência, aliadas ao seu brilhantismo e humor, inspirou pessoas em todo o mundo", destacaram seus três filhos.

Suas ideias brilhantes e sua genialidade renderam fãs em todos os segmentos, muito além da astrofísica, e ele chegou a ser comparado com Albert Einstein e Isaac Newton.

O homem que assegurou que não acreditava em Deus e que a ciência sempre ganha da religião "porque funciona" também foi homenageado pelo Vaticano.

"Ele disse aos quatro papas que conheceu que queria fortalecer a relação entre a fé e a razão científica", escreveu a Academia Pontifícia de Ciências Sociais.

A Nasa publicou no Twitter um vídeo do cientista sorrindo enquanto flutuava durante um voo de gravidade zero. "Que você permaneça voando como o Super-Homem na microgravidade", escreveu a agência espacial.

Opinião do especialista

Obra do físico influenciará as novas gerações

Carlos Alberto Santos de Almeida. Professor do Departamento de Física da UFC

Depois de Albert Einstein, Stephen Hawking foi o cientista do século XX que mudou completamente a visão que o homem tinha do Universo. Ele não chegou a superar Einstein, mas complementou as teorias dele com brilhantismo, deixando ideias que vão influenciar o trabalho científico das futuras gerações. A principal contribuição de Hawking foi unir duas áreas: a física clássica, da teoria de Einstein, da relatividade (a natureza do espaço e do tempo, das coisas em escala gigantesca), e a teoria quântica (a física das coisas pequenas, das partículas) para explicar a criação e o funcionamento do Cosmos. Hawking colocou a mecânica quântica na cosmologia.

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