Drama da imigração

Síria já tem mais de 920 mil deslocados em 2018

País árabe, abalado por guerra civil há sete anos, registra o maior número de refugiados desde o começo do conflito

00:00 · 12.06.2018
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Fugindo dos bombardeios, dezenas de sírios, incluindo crianças, carregam seus pertences enquanto tentam cruzar a fronteira com a Jordânia ( FOTO: AFP )

Nova York/Damasco. Mais de 920.000 pessoas foram deslocadas na Síria nos primeiros quatro meses de 2018, um número recorde desde o início da guerra há sete anos, anunciou a ONU.

"É o maior número de deslocados em um curto período de tempo desde o início do conflito", revelou Panos Moumtzis, coordenador humanitário da ONU para a Síria, em uma entrevista coletiva em Genebra.

Cerca de 6,2 milhões de sírios abandonaram suas casas dentro do país, enquanto 5,6 milhões permanecem refugiados nos países vizinhos, de acordo com a ONU. Estima-se a população da Síria em 18,2 milhões.

Moumtzis afirmou que os novos deslocados foram obrigados a abandonar suas residências após a intensificação dos combates no antigo reduto rebelde de Ghuta Oriental e na província de Idlib (noroeste), quase totalmente controlada por islamitas e grupos rebeldes extremistas. Vários ataques aéreos em Idlib deixaram recentemente dezenas de mortos, incluindo crianças.

A guerra, que começou em 2011 com a repressão de manifestações pacíficas que pediam reformas democráticas, deixou mais de 350 mil mortos e forçou milhões de pessoas ao êxodo.

Europa

Além do drama migratório interno que ocorre na Síria, a ONU expressou preocupação com a situação relacionado ao fluxo África-Europa. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) pediu, ontem, à Itália e Malta que permitam o desembarque imediato de centenas de migrantes em seus portos, depois de descrever a situação como "um imperativo humanitário urgente".

Contudo, será a Espanha que receberá o barco "Aquarius" com 629 migrantes, atualmente em águas do Mediterrâneo, depois que a Itália e Malta se negaram a acolhê-lo, anunciou o governo de Pedro Sánchez, afirmando que a decisão pretende evitar uma catástrofe humanitária. "É nossa obrigação oferecer um porto seguro para essas pessoas", indicou.

O Aquarius resgatou no sábado 629 migrantes, incluindo sete grávidas, 11 crianças pequenas e 123 menores.

O novo governo italiano não quer receber esses refugiados. É a primeira vez desde a chegada ao poder da coalizão entre A Liga (extrema direita) e o Movimento Cinco Estrelas que a Itália bloqueia seus portos. A Itália, que 2013 viu desembarcar em seu litoral cerca de 700 mil migrantes, sente que durante a crise migratória a deixaram sozinha na condução da situação sem qualquer alguma ajuda de seus sócios da União Europeia.

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