Crise diplomática ampliada

Sete diplomatas russos são expulsos pela Otan

Aliança militar ocidental aumentou as pressões contra Moscou, em resposta às ambições geopolíticas de Putin

O ex-premiê norueguês Jens Stoltenberg, atual secretário-geral da organização, fez ontem o anúncio da retaliação ao Kremlin em apoio ao Reino Unido ( Foto: AFP )
00:00 · 28.03.2018

Bruxelas/Moscou. Um dia após os EUA e diversas nações europeias tomarem medida semelhante, a Otan anunciou, ontem, que vai expulsar sete diplomatas russos. O gesto aprofunda a crise diplomática entre Moscou e outras potências globais.

A Organização do Tratado do Atlântico Norte, uma aliança militar ocidental, também reduziu as dimensões da delegação russa de 30 pessoas para apenas 20, disse o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg.

> Internamente, Rússia lamenta morte de 41 crianças

Assim, além dos sete diplomatas expulsos, outros três nomes indicados por Moscou que aguardavam autorização da Otan tiveram suas credenciais barradas e não poderão fazer parte da missão. "Isso envia uma mensagem clara à Rússia de que existem custos e consequências para seu padrão de comportamentos inaceitáveis", afirmou o norueguês, fazendo alusão às acusações de um ataque atribuído aos russos com a exposição de uma substância neurotóxica, em solo inglês.

Por essa mesma razão, governos de 23 países haviam anunciado na véspera a expulsão de diplomatas russos. Outras nações se uniram ontem à onda de represálias, como a Irlanda e a Moldávia. Ao menos 60 diplomatas terão de sair dos EUA. O presidente americano, Donald Trump, decidiu também fechar o consulado russo em Seattle, no estado de Washington.

'Novitchok'

Londres acusa a Rússia de ser responsável pelo envenenamento do ex-espião russo Serguei Skripal esua filha, Iulia, no início de março deste ano, com o agente neurotóxico "Novitchok", produzido no período soviético. Eles estão internados.

Além de negar sua participação, Moscou ironizou todas as alegações como absurdas. Com a expulsão de diplomatas, porém, esses governos e órgãos sinalizam que apoiam a primeira-ministra britânica, Theresa May.

É um aviso ao presidente russo Vladimir Putin, recém reeleito, de que há uma frente coordenada -algo que talvez lhe surpreenda, depois de ter consolidado suas posições na Crimeia e na Síria nestes últimos anos.

O embaixador russo nos EUA, por sua vez, afirmou que o governo de Trump está "destruindo o pouco que sobrou" da relação bilateral. Já o chanceler Sergei Lavrov acusou EUA de chantagem e disse haver poucos países independentes na Europa.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.