Ex-presidente francês

Sarkozy é detido para depor sobre campanha de 2007

O ex-presidente da França é investigado por ter campanha supostamente financiada pela Líbia de Muamar Khadafi, que morreu em 2011 ( Foto: AFP )
00:00 · 21.03.2018 / atualizado às 08:37

Nanterre. O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy foi detido ontem para ser interrogado no âmbito da investigação sobre suspeitas de financiamento ilícito líbio de sua campanha eleitoral em 2007.

Ele, que governou o país de 2007 a 2012, é interrogado pela primeira vez nesta investigação por agentes do Escritório Central de Luta contra a Corrupção e as Infrações Financeiras e Fiscais em Nanterre, nas proximidades de Paris, completou a fonte.

Sarkozy pode permanecer em detenção provisória por até 48 horas. Dependendo do interrogatório, pode ser posto em liberdade, convocado em uma data posterior, ou ser apresentado perante um juiz para uma acusação formal.

O ex-ministro do Interior Brice Hortefeux, muito próximo de Nicolas Sarkozy, também estava sendo interrogado hoje, no âmbito dessa investigação, mas sem estar detido.

Os juízes de assuntos financeiros investigam desde abril de 2013 acusações sobre o financiamento da campanha presidencial de 2007 de Sarkozy pela Líbia de Muamar Khadafi.

As acusações foram formuladas pelo franco-libanês Ziad Takieddine e por alguns ex-funcionários líbios, enquanto outras pessoas negaram. O ex-chefe de Estado francês sempre desmentiu as denúncias, mas os juízes franceses dispõem de vários testemunhos de ex-funcionários de alto escalão do governo líbio que confirmam a hipótese de financiamento ilegal.

O caso foi revelado em 2012, quando a Mediapart publicou um documento assinado por Musa Musa, ex-chefe dos serviços de Inteligência líbios. No texto, afirma que o governo Khadafi havia aceitado, em 2006, financiar com "50 milhões de euros" a campanha de Sarkozy em 2007.

Esta não é a primeira vez que Sarkozy é detido para depor. Em 2014, foi detido para prestar depoimento em um caso de suspeita de tráfico de influência, caso pelo qual foi indiciado.

Apesar de seus problemas com a Justiça, Sarkozy tentou se candidatar mais uma vez à Presidência da França em 2017, mas fracassou - em parte, devido às investigações judiciais.

 

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