Por unanimidade

Sanções contra Coreia do Norte são aprovadas

Apesar das punições, Conselho de Segurança da ONU ignorou desejo dos EUA de congelar os ativos de Kim Jong-un

Regime do líder norte-coreano passou a ser alvo de sanções depois de provocar as potências mundiais com testes do seu programa nuclear ( Foto: Agência France Presse )
00:00 · 12.09.2017

Nova York/Pyongyang. O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou ontem de forma unânime um novo pacote de sanções contra a Coreia do Norte.

Ao contrário do desejo da diplomacia dos Estados Unidos, as restrições não incluíram o banimento às importações de petróleo nem o congelamento de ativos do governo norte-coreano ou do líder Kim Jong-un.

A resolução aprovada ontem bane, em contrapartida, toda a importação de gás natural líquido e condensado.

As importações de petróleo bruto, por sua vez, não poderão ultrapassar o nível dos últimos 12 meses. Também foi imposto limite de 2 milhões de barris por ano à compra de produtos refinados de petróleo.

Os membros do Conselho de Segurança também baniram as exportações de produtos têxteis do regime comunista e proibiram todos os países de emitirem novas autorizações para trabalhadores da Coreia do Norte.

Repercussão

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, manifestou-se, ontem, a favor do reforço dos meios de defesa do país, no momento em que a ameaça norte-coreana se intensifica na região. A declaração de Abe foi dada diante dos oficiais das Forças de Autodefesa (como o Exército japonês é chamado), poucas horas antes do debate no Conselho de Segurança da ONU sobre novas e mais severas sanções contra Pyongyang.

"Ninguém mais vai nos defender, se nós mesmos não tivermos a vontade de nos defendermos", alegou o premiê, acrescentando que "vamos tomar todas as medidas apropriadas em relação a ações como o disparo do míssil que sobrevoou o Japão".

Abe pediu a seu ministro da Defesa, Itsunori Onodera, que prepare um projeto de estratégia de defesa de médio prazo.

Conhecido por advogar a extensão dos meios e das prerrogativas militares do arquipélago, o primeiro-ministro também considera "inevitável um reforço da aliança nipo-americana" para garantir a segurança da região.

"Devemos dissuadir a Coreia do Norte de reiterar os atos de provocação", argumentou, referindo-se, especialmente, aos exercícios militares conjuntos entre Japão e Estados Unidos.

Depois, o próprio ministro Onodera expressou seu desejo de dotar o país, rapidamente, de uma versão terrestre do sistema de mísseis Aegis, já instalado em navios de guerra.

Em paralelo, o porta-voz do governo, Yoshihide Suga, apoiou a opção proposta pelos Estados Unidos de um claro endurecimento das sanções contra o regime norte-coreano.

"Consideramos importante a rápida adoção de uma nova resolução da ONU", declarou Suga à imprensa, ontem.

Teste nuclear

A China informou que os níveis de radiação na área de fronteira com a Coreia do Norte não apresentam "nenhuma anormalidade", uma semana depois do potente teste nuclear realizado pelo regime de Pyongyang.

O ministério do Meio Ambiente chinês anunciou no domingo o fim dos "controles de emergência" do nível de radiação na fronteira com este país.

As medições começaram em 3 de setembro, pouco depois do mais recente teste nuclear do regime de Kim Jong-Un, que provocou um violento tremor, sentido na região de fronteira do nordeste da China.

Pyongyang anunciou um teste com uma bomba H.

"Uma avaliação completa permite concluir que o teste nuclear norte-coreano não provocou nenhum impacto ao meio ambiente na China", afirma o ministério em um comunicado.

"Depois de oito dias de controle contínuo, não se registrou nenhum resultado anormal", completa a nota.

Mais de mil mostras de água, sedimentos, ar e iodo foram analisados pelas estações de controle localizadas nas províncias de Heilongjiang, Jilin e Liaoning (nordeste), assim como em Shandong (leste).

As autoridades russas informaram após o teste que os níveis de radiação no extremo oriente do país estavam na "margem normal" e que não foram registrados picos de radiação.

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