Análise sobre a tensão

Rússia vê alto risco de guerra entre EUA e Coreia do Norte

Chanceler russo admitiu que o Kremlin está "muito preocupado" com as ameaças da Casa Branca a Pyongyang

O ministro de Relações Exteriores da Rússia enfatizou, contudo, que o presidente Vladimir Putin condena o armamento nuclear norte-coreano ( Foto: Ag. France Presse )
00:00 · 12.08.2017

Moscou/Pyongyang. O ministro de Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, disse, na sexta-feira (11), que é "muito alto" o risco de um confronto militar entre os EUA e a Coreia do Norte, e lembrou que Moscou se opõe terminantemente ao armamento nuclear de Pyongyang.

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"Considero que o risco é muito alto. Especialmente levando em conta a atual retórica: soam claras ameaças do uso da força", disse Lavrov. Ele lembrou que "a Coreia do Norte diz que tem direito a fabricar armas nucleares e que inclusive já as tem". E reconheceu que Moscou está "muito preocupada" pelas ameaças de Washington de um possível ataque preventivo e as agressivas respostas de Pyongyang.

"Os comentários (nos EUA) de que é preciso realizar um ataque preventivo à Coreia do Norte e as afirmações de Pyongyang que é preciso atacar a ilha de Guam não param e isso algo é que nos preocupa muito", apontou o chefe da diplomacia russa. Ele afirmou que fará todo o possível para evitar um conflito e pediu que Washington dê o primeiro passo para rebaixar a tensão.

"Opino que quando a situação desemboca praticamente em uma briga, quem deve dar o primeiro passo para se afastar dessa perigosa linha é o mais forte e astuto, ou seja, os EUA".

Lavrov ainda lembrou que a Rússia e a China propuseram no começo de julho "um plano muito sensato para um duplo congelamento". Por parte do regime de Kim Jong-un, visando suspender todos os testes de armas nucleares e mísseis balísticos, e para EUA e Coreia do Sul a suspensão das suas manobras militares conjuntas em grande escala.

Estopim

Bill Richardson, ex-embaixador americano na ONU e que passou anos sufocando uma crise com a Coreia do Norte, adverte que a escalada verbal entre o Donald Trump e o líder Kim Jong-Un aumenta o risco de que um pequeno acidente de Segurança leve a uma guerra.

O experiente diplomata de 69 anos disse que o confuso posicionamento de Washington em relação à Coreia do Norte - com Trump ameaçando com uma enxurrada de "fogo e fúria", enquanto o chefe da Diplomacia, Rex Tillerson, diz não ver em Pyongyang uma "ameaça iminente" - é tão perigosa quanto a provocativa ameaça norte-coreana de lançar mísseis sobre a ilha americana de Guam.

Já a alta representante da União Europeia (UE) para a Política Externa, Federica Mogherini, convocou, na sexta (11), os embaixadores dos países do bloco para uma reunião extraordinária na próxima segunda-feira, a fim de abordar a situação na Coreia do Norte e planejar os "próximos passos".

Federica decidiu convocar um encontro "extraordinário" do Comitê Político e de Segurança da UE, no qual estão representados os embaixadores dos Estados Membros do bloco.

O anúncio de Mogherini chega após Trump, advertir Pyongyang de que as Forças Armadas americanas estão "posicionadas, armadas e carregadas" para um eventual combate com a Coreia do Norte.

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