APESAR DE SANÇÕES

Rússia vai vender mísseis ao Irã

01:44 · 01.07.2010
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Governo iraniano afirma que a Rússia deve cumprir contrato; EUA dizem que mísseis podem atingir a Europa

Teerã. O governo do Irã indicou, ontem, que a Rússia deve honrar o acordo feito sobre a venda de mísseis S-300, apesar das sanções impostas à República Islâmica pela Organização das Nações Unidas (ONU), União Europeia (UE), pelos Estados Unidos e por outras potências ocidentais.

"A venda dos equipamentos S-300 é um acordo de defesa que não tem nada a ver com as sanções do Conselho de Segurança da ONU e os russos devem cumprir com seus compromissos a este respeito", afirmou o ministro de Defesa do Irã, o general Ahmad Vahidi.

As declarações foram feitas após o término de ume reunião do Conselho de Ministros em Teerã, segundo a agência estatal Irna. Ahmadi disse ainda que o Irã pretende dar prosseguimento normal à venda dos armamentos e que a expectativa é de que Moscou se comporte da mesma maneira.

Os Estados Unidos indicaram que o Irã teria capacidade de atacar a Europa com mísseis e criticaram a relação da Rússia com o país. Teerã nega que possua armamentos de longo alcance que possam atingir o continente europeu.

O ministro de Relações Exteriores da Rússia Sergei Lavrov já afirmou que sanções impostas pela ONU ao Irã não obrigam Moscou a cancelar o acordo de venda mísseis. Lavrov disse ainda que Moscou mantém negociações para construir mais usinas nucleares no Irã, uma medida que, se for posta em prática, deve enfurecer as potências ocidentais, para se somar à de Bushehr, prevista para entrar em operação em agosto após anos de atraso.

Alerta

O ministro iraniano das Relações Exteriores Manouchehr Mottaki alertou, ontem, os Estados da UE sobre "consequências desastrosas" por sua decisão de impor sanções adicionais a Teerã por seu programa nuclear.

"A decisão sobre as sanções vai definitivamente causar perdas muito maiores para a própria União Europeia do que para a República Islâmica do Irã, como já foi amplamente demonstrado em estatísticas prévias", afirmou Mottaki em carta recebida ontem pelos chanceleres europeus.

O documento também afirma que o bloco de 27 nações "vai praticamente negar a si mesmo a cooperação potencialmente estratégica de um parceiro poderoso e influente na delicada região do Oriente Médio e do Golfo Pérsico".

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