Guerra da Síria

Rússia, Turquia e Irã vão negociar cessar-fogo

Líderes dos três países anunciaram que a busca de uma solução para o conflito será discutida em reunião em Teerã

A Guerra na Síria começou em 2011, dentro do contexto da "Primavera Árabe", quando houve uma série de protestos contra o regime de Bashar al-Assad ( Foto: AFP )
00:00 · 05.04.2018

Ancara. Rússia, Irã e Turquia se comprometeram, ontem, em uma cúpula em Ancara em trabalhar em prol de um cessar-fogo duradouro na Guerra da Síria.

Seus respectivos presidentes, Vladimir Putin, Hassan Rohani e Recep Tayyip Erdogan, reuniram-se para tentar avançar numa solução para a guerra que a arrasa a Síria, no momento em que os EUA semeiam dúvidas sobre uma possível retirada de suas tropas. O presidente americano Donald Trump expressou em várias ocasiões nos últimos dias sua intenção de retirar os cerca de 2.000 soldados mobilizados nesse país para lutar contra o grupo Estado Islâmico (EI).

O diretor da Inteligência Nacional americana, Dan Coates, anunciou, ontem, que seu governo chegou a uma decisão sobre o fim de sua presença militar na Síria, e fará o anúncio formalmente em breve.

Em um comunicado publicado após a cúpula em Ancara, os três líderes "reafirmaram sua determinação em cooperar ativamente na Síria visando a obter um cessar-fogo duradouro entre os beligerantes".

Donos da Síria

Também ressaltaram sua vontade de "acelerar os esforços para garantir a calma no terreno e proteger os civis nas zonas de distensão, e facilitar um acesso rápido da ajuda humanitárias nessas áreas". Turquia, Rússia e Irã tornaram-se os donos do tabuleiro que é a Síria, um país devastado pela guerra, diante da irrelevância de Washington e de seus aliados.

Em janeiro de 2017, esses três países lançaram o processo de Astana, sem os EUA, competindo, assim, com outras negociações patrocinadas pela ONU. Esse processo permitiu chegar a um acordo sobre a criação na Síria de quatro "zonas de distensão" que reduziu a violência em alguns setores.

A busca de uma solução para o conflito sírio se encontra paralisada, porém, devido aos interesses contraditórios de Moscou e Teerã, que apoiam o governo sírio, e Ancara, que apoia os rebeldes. Durante coletiva de imprensa após a cúpula, Putin denunciou a falta de ação da comunidade internacional. "Ninguém faz nada, a não ser Irã, Turquia e Síria", ressaltou. "Vemos pequenas entregas de ajuda humanitária pela ONU, mas isso não é suficiente", apontou.

Erdogan, por sua vez, enfatizou as operações militares realizadas pela Turquia no norte da Síria contra a milícia curda das Unidades de Proteção do Povo (YPG), considerada terrorista por Ancara, mas aliada de Washington na luta contra o EI.

"Nós não vamos parar até que tenhamos limpado essas regiões, especialmente Manbij", disse ele, referindo-se a esta cidade estratégica do norte da Síria, onde soldados americanos estão posicionados ao lado das YPG.

Rohani, cujo país apoia ativamente o presidente sírio Bashar al-Assad, disse que "o futuro da Síria aos sírios". O último encontro dos três líderes sobre a Síria foi em 22 de novembro em Sochi. Uma terceira reunião será em Teerã, sem data definida.

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