Desde 1981

Rússia fará maior exercício bélico

00:00 · 29.08.2018
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Sistema de lançamento de mísseis S-400 Triumph, um dos trunfos da defesa russa, é exibido durante parada na Praça Vermelha, em Moscou ( FOTO: AFP )

Moscou. A Rússia anunciou que fará o maior exercício militar desde 1981, quando ainda era o principal país da União Soviética e vivia um dos auges da tensão geopolítica com o Ocidente. A motivação agora é a mesma. "A capacidade de defesa na atual situação internacional, que é frequentemente agressiva e hostil a nosso país, justifica o exercício", afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

Segundo a agência russa Tass, o Ministério da Defesa estipulou em 300 mil, ou um terço do total de soldados à sua disposição, o número de homens mobilizados para a manobra Vostok-2018 (Leste-2018). É o maior contingente desde o Zapad-81 (Oeste-81), ocorrido num momento crucial da Guerra Fria, quando a estagnação soviética levou sua liderança a achar que o confronto nuclear com os EUA era inevitável.

Para adicionar peso simbólico, a China participará com um número elevado de tropas, 3.200 soldados, além de 900 peças de artilharia e 30 aeronaves.

Forças mongóis também devem se unir às potências. Os jogos de guerra ocorrerão na região siberiana de Zabaikalski, uma área no leste russo que faz fronteira com os dois vizinhos.

Moscou-Pequim

A aproximação entre Moscou e Pequim é um balé que ressurgiu com força a partir do isolamento russo do Ocidente, a partir de 2008. Os chineses têm investido pesadamente em projetos energéticos no vizinho, sedentos por sua riqueza em hidrocarbonetos. Os presidentes Vladimir Putin e Xi Jinping se encontram frequentemente, e têm estreitado também colaboração militar.

Pequim é antigo cliente de armas russas, apesar de estar acelerando o desenvolvimento de modelos próprios.

A Rússia, por sua vez, precisa de dinheiro cada vez menos disponível devido às sanções decorrentes da anexação da Crimeia da Ucrânia, em 2014. É uma aliança de ocasião, já que o Kremlin vê com suspeita os interesses chineses no seu desabitado Extremo Oriente, mas que foi reforçada pelo isolacionismo dos EUA sob Donald Trump.

As forças russas serão apoiadas por nada menos que 1.000 aviões e 36 mil blindados.

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