De diplomatas

Rússia adota reciprocidade em número de expulsões

Para o chanceler russo Serguei Lavrov, caso Skripal é apenas um pretexto do Ocidente para retaliar Moscou ( Foto: AFP )
00:00 · 30.03.2018

Moscou/Tbilisi. O ministro de Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, disse que Moscou irá expulsar o mesmo número de diplomatas das nações que anunciaram a mesma medida anteriormente. Países como Reino Unido, EUA, Canadá, Austrália e alguns Estados-membros da União Europeia expulsaram diplomatas russos devido ao envenenamento de um ex-espião russo em solo inglês.

Washington reagiu logo em seguida. "A decisão do governo russo de expulsar 60 diplomatas americanos é injustificada", afirmou o porta-voz do departamento de Estado, Heather Nauert.

Lavrov afirmou que o embaixador americano na Rússia, Jon Huntsman, foi convocado a comparecer no Ministério de Relações Exteriores ontem, onde foi avisado que a Rússia responderia à decisão dos EUA de exigir a saída de 60 diplomatas russos de territórios americanos.

Lavrov afirmou que Moscou também irá retaliar a decisão dos EUA de fechar o consulado russo em Seattle, fechando o consulado dos EUA em São Petersburgo. Segundo o ministro da Rússia, a mesma abordagem será aplicada a outras nações que expulsaram diplomatas russos nesta semana.

Ele acrescentou que a Rússia está reagindo a "medidas absolutamente inaceitáveis, tomadas sob grande pressão dos EUA e Grã-Bretanha sob o pretexto do denominado caso Skripal".

Duas dúzias de países, incluindo nações da UE e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), ordenaram a saída de mais de 150 diplomatas russos nesta semana, em demonstração de solidariedade ao Reino Unido. A ex-república soviética da Geórgia informou, ontem, que expulsará um diplomata russo. A Geórgia rompeu laços diplomáticos com a Rússia, após uma breve guerra na república separatista da Ossétia do Sul.

Vítimas

O estado de saúde de Yulia Skripal, filha do ex-espião, "está melhorando rapidamente", indicou, ontem, o hospital onde são tratados pai e filha desde seu envenenamento em 4 de março em Salisbury (sudoeste da Inglaterra). "Estou feliz em poder anunciar uma melhora no estado de Yulia Skripal", declarou Christine Blanshard, diretora do hospital de Salisbury. "Ela tem respondido satisfatoriamente ao tratamento".

A terceira vítima, Nick Bailey, recebeu alta ontem. O policial foi o primeiro a socorrer Skripal e sua filha, encontrados inconscientes em um banco público.

O ataque a Skripal e sua filha foi realizado com um agente neurotóxico Novichok, produzido apenas na Rússia, na década de 1980 por cientistas soviéticos, segundo o Reino Unido.

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