No Irã

Rohani sofre nova derrota política

00:00 · 27.08.2018

Teerã. O Parlamento iraniano votou, ontem, em favor da demissão do ministro da Economia, Massud Karbassian, um novo revés para o governo do presidente Hassan Rohani, que enfrenta uma séria crise econômica. Karbassian é o segundo ministro demitido desde o início do mês por votação do Parlamento, depois do responsável pela pasta do Trabalho, Ali Rabiie, no dia 8 de agosto.

O governo de Rohani está sendo criticado por não ter aproveitado as oportunidades ligadas ao acordo nuclear de 2015 e por não combater o desemprego e a inflação. E desde que os Estados Unidos se retiraram do pacto em maio e restabeleceram sanções contra Teerã no início deste mês, a capacidade do presidente Rohani de atrair investimentos estrangeiros parece ainda menor.

Por medo das sanções americanas, um grande número de companhias internacionais anunciou sua retirada do país, como os grupos franceses Total, Peugeot e Renault, e os alemães Siemens e Daimler. Os opositores conservadores do presidente Rohani, hostis à aproximação dos países ocidentais e à flexibilidade em termos de liberdades civis, também imputam a crise à corrupção do governo.

"O que fizemos com esta nação? Nós a tornamos miserável. A classe média se aproxima da pobreza", lamentou Elias Hazrati, um reformista.

Karbassian recebeu 137 votos contra e 121 a favor, e duas abstenções, em um voto de confiança transmitido pela rádio.

Esta decisão, com efeito imediato, deixa ao presidente Rohani a tarefa de nomear um sucessor. Reeleito no ano passado, depois de um primeiro mandato de quatro anos, o presidente Rohani ainda conta com o apoio do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei.

Hoje, o chefe de Estado deverá se pronunciar sobre a crise atual, cujo colapso de sua moeda - que perdeu quase dois terços de seu valor em seis meses - é o fato mais marcante.

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