assegura theresa may

Reino Unido deixará mercado único europeu

Premiê prevê ativar o procedimento de 'divórcio' da UE até março para iniciar dois anos de negociações

00:00 · 18.01.2017
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A premiê também disse que o país precisa controlar a imigração, mas ressaltou que a nação seguirá aberta e tolerante Foto: The Prime Minister's Office

Londres. A primeira-ministra britânica, Theresa May, defendeu ontem uma ruptura "clara e nítida" com a União Europeia (UE) ao declarar que o Brexit significa também uma saída do mercado único europeu.

"O Reino Unido não pode continuar sendo parte do mercado único", ressaltou May, em um esperado discurso em Londres em que revelou suas prioridades para as negociações com a UE.

May, que prevê ativar o procedimento de divórcio do Reino Unido com a UE antes do final de março para dar início a dois anos de negociações, anunciou que submeterá o acordo final ao Parlamento britânico, o que fez subir a libra esterlina.

Para a primeira-ministra, manter ao Reino Unido em um mercado único de 500 milhões de consumidores é incompatível com a prioridade número um de Londres: controlar a imigração europeia que passa por causa do princípio de livre circulação de trabalhadores.

"O Reino Unido é um país aberto e tolerante, mas a mensagem do povo foi clara: o Brexit deve permitir controlar a quantidade de europeus que vêm ao Reino Unido", ressaltou.

No referendo de 2016, 52% dos eleitores britânicos votaram por sair da UE e muitos citaram o controle da imigração como motivo principal. "Queremos uma nova associação equitativa (...), não um estatuto de membro parcial ou associado da UE, que nos deixaria metade dentro ou metade fora", insistiu.

"Não vamos tentar continuar sendo membro do mercado único, mas vamos tentar ter o maior acesso possível", disse. Em 2015, 44% das exportações britânicas foram para a UE.

Para evitar "uma mudança muito brusca", May propôs uma implementação "por etapas" de um acordo com a UE ao fim das negociações com o bloque.

"Vocês serão sempre bem-vindos neste país como esperamos que nossos cidadãos continuarão sendo no de vocês", disse a chefe do governo conservador aos embaixadores dos 27 países-membros da UE convidados a Lancaster House.

O Reino Unido, entretanto, será também "um país que olha para além das fronteiras da Europa", acrescentou, celebrando o projeto de uma "grande nação mercante em escala mundial". O discurso marcou uma verdadeira ruptura, encaminhando seu país a um Brexit mais "rígido" que "flexível".

Cinco anos

Ao expressar sua vontade de tirar o Reino Unido do mercado único, May mostrou que assume as advertências dos europeus que insistiram que não haverá acesso possível à UE sem o respeito à liberdade de circulação.

Ela insistiu sobre a construção de um Reino Unido "aberto ao mundo", que assina seus próprios acordos comerciais com os países do Commonwealth, com os gigantes asiáticos e com os Estados Unidos.

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, classificou de "mais realista" o discurso da primeira-ministra sobre o Brexit. O ministro das Relações Exteriores alemão, Frank-Walter Steinmeier, comemorou os anúncios de May: "Finalmente há um pouco de clareza".

O ministro das Relações Exteriores austríaco, Joerg Schelling, estima que "o Brexit levará cinco anos".

O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, pediu que o governo de May, tenha clareza sobre o modelo de relação que pretende buscar com a União Europeia. "Estamos dispostos a ter um entendimento intenso e bom no futuro", comentou Rajoy.

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