TENSÃO CRESCENTE

Rebeldes se preparam para batalha com regime Assad

Explosão de pontes e medo de ataque químico mobilizam facções na província de Idlib, no noroeste da Síria

00:00 · 01.09.2018

Idlib/Moscou. Grupos rebeldes na província de Idlib, no noroeste do país, explodiram duas pontes nos arredores desta última grande fortaleza insurgente, em antecipação a uma ofensiva do regime, informou uma ONG na sexta-feira (31).

Segundo a ONU, a ofensiva poderá provocar uma nova catástrofe humanitária.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, acusou na sexta seu colega russo, Serguei Lavrov, de defender o ataque do regime de Damasco, apoiado por Moscou, contra a última grande fortaleza rebelde na cidade síria de Idlib.

"Os EUA consideram que é uma escalada em um conflito já perigoso", acrescentou. "Os três milhões de sírios que já se viram obrigados a abandonar seus lares e que agora estão em Idlib vão sofrer esta agressão. Isso não está bem. O mundo está olhando", advertiu o chefe da diplomacia norte-americana.

Situada no noroeste do país em guerra, na fronteira com a Turquia, a província de Idlib está dominada pelos extremistas do Hayat Tahrir al-Sham (HTS).

Também há outras facções rebeldes presentes. Este último grande reduto insurgente está na mira de governo Bashar al-Assad, que acumula vitórias, desde 2015, com o crucial apoio de seu aliado russo, conseguindo controlar mais de 60% do território.

Recentemente, EUA, França e Reino Unido advertiram ao presidente Assad e Moscou que não permitiriam nenhum uso de armas químicas por parte do governo, em caso de ofensiva em Idlib.

Neste contexto, os rebeldes consolidaram suas posições na província, para onde o regime enviou reforços.

As duas pontes na província de Hama, vizinha de Idlib, ligavam os territórios insurgentes às zonas governamentais, de acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH). As facções islamitas da Frente Nacional de Libertação (FNL), a principal coalizão rebelde de Idlib, "explodiu durante a noite as duas pontes, localizadas na área de Sahl al-Ghab em Hama", indicou o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahmane. Segundo especialistas, os territórios rebeldes da Sahl al-Ghab, que abrangem as províncias de Hama e Idlib, poderiam ser alvos de uma ofensiva do regime e de seu aliado russo. "Os rebeldes observaram intensa atividade no lado do regime, com a chegada de tanques e veículos blindados na área", disse Abdel Rahmane.

Trincheiras

No sul de Idlib, não muito longe de uma linha de frente, combatentes do FNL enchiam sacos de areia e os empilhavam uns sobre os outros para proteger seus postos na região. Trincheiras e túneis subterrâneos também estão sendo escavados.

"Estamos consolidando nossas posições em preparação a qualquer possível operação militar do regime", disse o comandante Abu Marwan.

Tropas turcas também estão posicionadas na área e Ancara, que apoia alguns grupos rebeldes, incluindo FNL, não quer uma ofensiva, temendo um novo fluxo de refugiados.

Já a Rússia advertiu sobre a preparação de uma suposta "encenação" com armas químicas em Idlib para "prejudicar a operação antiterrorista" das tropas governamentais e acusar o regime de Bashar al Assad.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.