24 anos no poder

Putin esmaga oposição e conquista 4º mandato

Sem o principal opositor no páreo, o líder russo fez campanha agressiva contra o Ocidente e exibiu arsenal nuclear

00:00 · 19.03.2018
putin
O ex-agente da KGB, temido órgão de espionagem, encarna, aos 65 anos, na visão dos russos, o "homem de ação", o ideal nostálgico do império dos czares ( Foto: AFP )

Moscou. Vladimir Putin venceu as eleições presidenciais russas de forma esmagadora ontem e se elegeu para um quarto mandato que se estenderá até 2024. Com metade das urnas apuradas, Putin, de 65 anos, tinha 75% dos votos. Com o novo mandato de seis anos, ele acumulará 24 anos no poder. Só perde para Stálin, que comandou a extinta União Soviética por 30 anos.

O chefe de Estado superou o candidato comunista Pavel Grudinin, que obteve 13,4% dos votos, o ultranacionalista Vladimir Jirinovski (6,3%) e a jornalista ligada à oposição liberal, Ksénia Sobtchak (1,4%).

Putin disse aos seus simpatizantes, reunidos nas imediações do Kremlin, que via na vitória "a confiança e a esperança" do povo russo. "Vamos trabalhar duro, de forma responsável e eficiente", assegurou.

Além disso, prosseguiu, "vejo o reconhecimento do fato de que muitas coisas foram realizadas em condições muito difíceis".

Durante o atual mandato de Putin, os preços do petróleo desabaram, provocando escassez de divisas, o que se somou às sanções do Ocidente pela anexação russa da Crimeia.

Em seu discurso, Putin voltou a se dirigir ao Ocidente e afirmou que as acusações conta a Rússia pelo envenenamento, em Londres, de um ex-espião duplo desertor "são mentiras, lixo, bobagens" e assegurou que seu país "destruiu todas as armas químicas" de que dispunha, conforme os tratados internacionais.

Fraudes

O principal rival de Putin, Alexei Navalny, impedido de disputar as eleições por uma condenação judicial, acusou o Kremlin de aumentar artificialmente a mobilização, preenchendo as urnas ou organizando o transporte maciço de eleitores às seções.

Para garantir a participação dos eleitores, houve até promesa de galinha em troca do voto.

Hostilidades

Putin é elogiado por ter devolvido a estabilidade ao país, após a caótica década de 1990, embora, segundo seus detratores, tenha sido às custas das liberdades individuais. Neste mês, o envenenamento de um ex-agente duplo russo na Inglaterra causou uma crise diplomática de Moscou com o Reino Unido.

A Otan (aliança militar liderada pelos EUA) anunciou que a retórica agressiva do Kremlin com o Ocidente e suas ambições nucleares, com exibição do novo arsenal, será discutida na conferência de cúpula marcada para julho, em Bruxelas.

Jens Stoltenberg secretário-geral da Otan, destacou quatro pontos na pauta: a anexação da Crimeia em 2014, o apoio aos separatistas na Ucrânia, a presença militar na Moldávia e Georgia, a interferência em eleições dos EUA por meio de hackers e o envolvimento na guerra síria.

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