Ex-líder catalão

Prisão de Carles Puigdemont gera onda de protestos

O ex-presidente da região separatista foi detido na Alemanha, perto da fronteira com a Dinamarca

Militantes pró-independência foram às ruas de Barcelona manifestar repúdio à forma como o governo espanhol tem tratado os dissidentes ( Foto: Ag. France Presse )
00:00 · 26.03.2018

Barcelona/Kiel. A prisão na Alemanha do ex-presidente independentista catalão Carles Puigdemont, acusado de rebelião pela Justiça espanhola e alvo de uma ordem de prisão europeia, levou ontem milhares de militantes separatistas às ruas de Barcelona.

Centenas de pessoas convocadas por um grupo radical, os Comitês de Defesa da República (CDR), tentaram se aproximar da delegação do governo espanhol, mas a polícia catalã impediu a sua passagem.

Alguns manifestantes lançaram garrafas de vidro e cercas e empurraram lixeiras contra os agentes, que responderam com agressões a cassetete e até disparos para o ar.

Quando conseguiram dispersar o protesto, os distúrbios se expandiram por outras ruas, nas quais se formaram barricadas com lixeiras queimadas. Os distúrbios deixaram 79 pessoas levemente feridas, 13 delas policiais, de acordo com os serviços de emergência da região.

Enquanto isso, 55 mil pessoas - segundo a polícia municipal - convocadas pela organização separatista Assembleia Nacional Catalã desfilaram pacificamente pelo Passeig de Gràcia, uma das principais avenidas de Barcelona. A multidão, que carregava bandeiras separatistas e cartazes onde lia-se "liberdade aos presos políticos", marchou da delegação da Comissão Europeia na cidade até o consulado alemão. "O que estão fazendo esses dias é totalmente desmedido. Nos tratam como criminosos por querermos a independência. Já não é uma questão de ideologia, mas de respeito aos direitos humanos", disse, chorando, Rosa Vela, uma professora de 60 anos. Judit Cárpena, de 22 anos e estudante de Arquitetura, advertiu os que se opõem à independência da Catalunha: "não cantem vitória, não é o fim do separatismo. O independentismo é liderado pelo povo, e não podem prender todos nós. Haverá outros Puigdemont".

Puigdemont foi preso às 11h19 (6h19 em Fortaleza) por uma patrulha da polícia de trânsito em Schleswig-Holstein, no norte da Alemanha, perto da fronteira com a Dinamarca.

Ícone atingido

Sonho frustrado de autonomia em relação à Madri

O ex-presidente catalão Carles Puigdemont, detido ontem pela Polícia alemã em virtude de uma ordem de prisão europeia emitida pela Espanha, encarnou para seus partidários o sonho de uma república catalã soberana. Desconhecido inclusive na Catalunha há dois anos, o jornalista de 55 anos se tornou uma figura internacional ao liderar a frustrada tentativa de secessão da região espanhola. Estabelecido na Bélgica desde então, longe da Justiça espanhola que ordenou prender alguns de seus companheiros, aspirava a recuperar a presidência regional, da qual foi destituído pelo governo espanhol depois da declaração de independência de 27 de outubro.

Formalmente acusado de "rebelião", entre outras alegações feitas pela Justiça espanhola, Puigdemont foi detido pouco após cruzar a fronteira alemã de carro da Dinamarca.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.