Após caso de ex-espião

Primeira-ministra britânica, Theresa May adverte União Europeia contra Rússia

00:00 · 23.03.2018
Theresa May
Primeira-ministra do Reino Unido busca apoio dos colegas do bloco europeu para punir Putin ( Foto: AFP )

Londres/Moscou. A primeira-ministra britânica, Theresa May, advertiu ontem contra a "ameaça russa" em sua chegada a uma cúpula com seus contrapartes europeus, a quem pedirá apoio contra Moscou por seu suposto envolvimento no envenenamento de um ex-espião russo em solo britânico.

"A ameaça russa não respeita fronteiras", advertiu May em Bruxelas, onde advogará a favor de uma posição firme da União Europeia (UE) na condenação ao ataque em Salisbury, sul da Inglaterra, no qual foi usado um agente neurotóxico fabricado durante a era soviética.

Este ataque "faz parte de um padrão de agressão russa contra a Europa e seus vizinhos próximos", declarou à imprensa.

Desde o ataque de 4 de março contra Serguei Skripal e sua filha, Yulia, considerado o primeiro uso de um agente neurotóxico nas ruas da Europa desde a Segunda Guerra Mundial, Londres e Moscou travam uma dura guerra de declarações.

O último episódio foi protagonizado pelo ministro britânico das Relações Exteriores, Boris Johnson, que comparou a Copa do Mundo da Rússia-2018 aos Jogos Olímpicos de Berlim-1936, que estava sob o comando de Adolf Hitler, um paralelo tachado pela Rússia de "asqueroso".

Os torcedores ingleses estarão "seguros" na Rússia apesar da crise latente entre Londres e Moscou, assegurou o embaixador russo em Londres, Alexander Yakovenko, em uma tentativa de acalmar os ânimos.

Na escalada de tensões, ambas as capitais também procederam à expulsão de 23 diplomatas, e a premiê britânica chegou a anunciar a interrupção de contatos bilaterais. A tarefa de Theresa May em Bruxelas não será fácil, já que as capitais europeias estão divididas a respeito da posição a ser adotada diante de Moscou. Enquanto Alemanha e França compartilham a conclusão britânica de que a Rússia é a única responsável pelo ataque, outros países como Itália, Grécia e Áustria, que não querem tensionar mais a relação com Moscou, pedem provas do envolvimento russo no envenenamento.

O projeto de declaração dos 28 preparado para a cúpula europeia reflete as "diferentes posições" dos Estados europeus, assinalaram diplomatas em Bruxelas. Os líderes se limitarão a expressar que levam "muito a sério a avaliação do governo britânico, segundo a qual é muito provável que a Federação da Rússia seja responsável", mas não mencionam eventuais sanções.

"Devemos expressar nossa solidariedade com o Reino Unido, mas ao mesmo tempo devemos investigar, devemos ser muito responsáveis na gestão desse caso", disse o premiê grego, Alexis Tsipras, ao chegar à reunião.

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